Laudo de 2008 indicava 'sinais de sadismo'

Laudo psicológico produzido em 28 de maio de 2008 e desprezado pela Justiça na hora de pôr o serial killer Adimar Jesus da Silva nas ruas, denuncia "sinais de sadismo" e de "perversão sexual" que não recomendam a libertação do detento em nenhuma hipótese, pelo risco que ele representa à sociedade.

Vannildo Mendes/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2010 | 00h00

Assinado pelos psicólogos Aliene de Moura Oliveira, Glauber Vieira Ferreira e Maria de Nazaré Xavier Viegas, o documento descreve, entre as principais características de Adimar, conflitos sérios que favorecem a prática de novos delitos sexuais. "Há sinais inclusive de sadismo, uma perversão sexual em que a busca de prazer se efetua através do sofrimento do outro." Característica "muito comum em delinquentes sexuais".

O laudo acusa também a presença de "sinais de transtorno psicopatológico" no detento, condenado a 14 anos de prisão em 2005 após ser detido em flagrante quando praticava violência sexual contra dois meninos.

Os profissionais avaliam que, mesmo mediante tratamento psiquiátrico rigoroso, não há certeza de que Adimar se regenere. "Transtornos sérios de sexualidade não desaparecem com o simples passar do tempo, ao contrário, tendem a cronificar-se frente a ausência de tratamento", enfatiza o documento.

Um laudo criminológico mais recente, porém, convalidado pelo Ministério Público, atestou Adimar como detento de "bom comportamento" e não se opôs à progressão do regime, concedido pelo juiz de Execução Penal Luiz Carlos Miranda. O documento recomendava ainda que "o Estado deve garantir que o periciando seja acompanhado ao menos semanalmente por um profissional, pelo tempo que este julgar necessário". A providência nunca foi tomada.

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