Ladrão mata funcionário do Sion em Higienópolis

Ele foi atacado por bandidos após sacar R$ 3 mil em uma agência perto do colégio

LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2013 | 02h01

Uma tentativa de assalto na saída de um banco em Higienópolis, região central da capital, terminou com a morte de um funcionário do Colégio Nossa Senhora de Sion na calçada da escola na manhã de ontem.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o auxiliar Eduardo Paiva, de 39 anos, foi atingido com um tiro na cabeça na Avenida Higienópolis. Ele voltava ao trabalho às 11h20, após sacar R$ 3 mil na agência Itaú Personnalité a poucos metros de distância, na esquina com a Avenida Angélica.

Segundo imagens obtidas pela polícia, a vítima foi seguida desde o banco por um homem de blusa vermelha, que havia chegado com um comparsa em uma moto Honda XRE-300 vinho. Logo depois, foi abordada pelo bandido, que a fez ajoelhar-se no chão.

O vídeo mostra Paiva colocando a mão no bolso, como para entregar a carteira. Em seguida, põe a mão na calça e tenta levantar-se, supostamente para agarrar a perna do criminoso. Ele se ergue em direção ao bandido, mas acaba alvejado no rosto e cai.

A dupla, então, foge na moto, sem levar o dinheiro. Só o motoqueiro usava capacete. Mesmo assim, a polícia ainda não havia identificado os criminosos até a noite de ontem.

No momento do crime, a avenida estava quase vazia. Segundo o Sion, a saída dos estudantes das aulas começa ao meio-dia. A entrada pela Avenida Higienópolis foi fechada e os alunos usaram o acesso da Rua Rio de Janeiro.

Um zelador correu até a vítima no chão e interrompeu o trânsito, que ficou interditado por uma hora. Paiva chegou a ser levado ao Pronto-Socorro da Santa Casa, em Santa Cecília, mas não resistiu aos ferimentos.

A principal testemunha do assassinato é um técnico cujo carro estava estacionado na frente do local onde Paiva levou o tiro. Ele disse à polícia que ouviu dois disparos. Mas a perícia achou no local apenas um projétil. O delegado titular do 77.º Distrito Policial, Wilson Roberto Zampieri, apura se o primeiro tiro falhou.

Segundo a polícia, ele havia descontado um cheque dado como pagamento pelos serviços prestados a uma entidade do Sion. O dinheiro sacado por Paiva foi achado no hospital dentro de sua calça.

Zampieri suspeita que o ladrão tenha ficado nervoso por a vítima não ter entregue a quantia imediatamente. "(Os criminosos) provavelmente sabiam onde estava o dinheiro."

Audácia. O delegado classificou a ação, em uma zona residencial de alto padrão, como "audaciosa". Ele diz que tentativas de roubo dessa espécie não são comuns na região.

O presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do bairro, Fábio Fortes, reclama, porém, de uma onda crescente de saidinhas de banco na região.

Ele mesmo afirma que foi vítima de tentativa de assalto no Bradesco da Rua Sebastião Pereira no ano passado. E diz que anteontem passou pela Avenida Higienópolis para verificar câmeras de sistema de segurança dos edifícios.

"Roubo de celulares e saidinha de banco são os crimes que têm ocorrido sempre no bairro. As pessoas não fazem mais ocorrência, daí não consta das delegacias."

Em nota, o Sion informou que Paiva trabalhava no colégio havia oito anos e era conhecido por todos pelo "bom caráter e idoneidade".

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