Kassab recua e libera camelô em 7 áreas

Definição ocorre após ordem judicial que barrou veto ao comércio informal nas ruas; ambulantes alegam que os novos locais são ruins

CRISTIANE BOMFIM, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2012 | 03h03

Depois da decisão da Justiça que determinou o retorno dos ambulantes às ruas, o prefeito Gilberto Kassab (PSD), que havia proibido os camelôs, recuou e definiu novos endereços para o comércio informal. Com a justificativa de organizar a atividade, um decreto publicado ontem no Diário Oficial da Cidade determinou sete pontos em regiões de cinco subprefeituras onde será permitida a presença de camelôs.

A regra só vale para quem tiver, além do Termo de Permissão de Uso (TPU), mais de 60 anos ou for deficiente físico. De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, os endereços listados vão abrigar os 861 trabalhadores que tiveram as licenças cassadas neste ano pela Prefeitura e conseguiram no dia 27, por ordem do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, retomar às atividades. Caso outros endereços não sejam oferecidos, cada um desses pontos terá 123 ambulantes.

Na região da Subprefeitura da Sé, o prefeito autorizou o trabalho dos ambulantes em dois endereços. O primeiro, na esquina da Rua Rodrigo Silva com a Rua Assembleia, entre as Estações Sé e Liberdade. Ali há calçadas estreitas e o movimento de pedestres não é grande. "O lugar é muito ruim para se trabalhar. Ninguém passa ali pensando em fazer compras", afirmou o camelô Josias Matos da Silva, de 44 anos, que vende bijuterias.

O segundo ponto fica na Rua Vergueiro, perto da estação de metrô. Ontem, apenas dois ambulantes trabalhavam no entorno: estavam na esquina do Viaduto Beneficência Portuguesa com a Rua Maestro Cardim. Eles nunca tiveram autorização para trabalhar como informais, mas garantem que o ponto é bom.

"Há uns três anos eram mais de 30 camelôs só no viaduto. Todos foram expulsos", contou uma ambulante de 45 anos. Os outros locais ficam nas Subprefeituras da Mooca (perto da Estação Belém e da antiga Estação São Miguel da CPTM), Lapa (ao lado da estação de trem), Jabaquara (ao lado do terminal rodoviário) e Casa Verde (próximo do Terminal Cachoeirinha).

Inviáveis. O presidente do Sindicato dos Permissionários em Pontos Fixos, Vias e Logradouro Públicos de São Paulo (Sinpesp), José Gomes, diz que os novos endereços são "inviáveis". "O Kassab está tomando essas decisões por pura maldade", diz.

Camelô há 31 anos, Luiz Gonzaga Bezerra, de 65 anos, afirma que não vai deixar a Rua 25 de Março para ocupar os novos pontos. "São muito ruins. Estou aqui há 15 anos e já tenho clientes." / COLABOROU TIAGO DANTAS

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