Kassab lança mutirão de limpeza para tentar melhorar sua imagem

Plano é investir em recapeamento de ruas, poda de árvores e outros serviços de zeladoria para resgatar ideia do prefeito 'bom gerente'

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

Enchentes causaram mais que estragos na cidade. Elas também aumentaram o índice de reprovação do prefeito Gilberto Kassab (DEM) de 27% para 34% em apenas três meses, segundo o Datafolha. Para tentar recuperar a popularidade, ele decidiu contra-atacar. Nos próximos três meses, vai recapear ruas, podar árvores, limpar bueiros, reformar calçadas. Além de investir na publicidade do que vem sendo chamado pelo governo de mutirão da limpeza.

O dinheiro deve vir do crescimento de 30% na receita do IPTU, conseguido justamente com outra medida que atingiu a imagem do prefeito: o aumento do imposto para 1,8 milhão de paulistanos. A arrecadação entre janeiro e março foi de R$ 1,7 bilhão, contra R$ 1,3 bilhão no ano passado. Com os R$ 400 milhões de diferença, é possível recapear 933 dos 17 mil quilômetros de vias. "Fora o IPTU, o ITBI (Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis) teve crescimento de 50%, comparados os primeiros trimestres de 2009 e 2010. A arrecadação mensal saltou de R$ 40 milhões para R$ 60 milhões. Isso nos permite retomar uma série de programas atingidos pela crise no ano passado", diz o secretário municipal de Finanças, Walter Aluísio.

O fluxo do caixa da Prefeitura dos últimos 20 dias mostra que a manutenção da cidade voltou a ter dinheiro. No caso da pavimentação, serão liberados R$ 15 milhões mensais até o fim do ano - 50% a mais que o investido em 2009.

O asfalto novo já começou a chegar a vias do centro expandido castigadas pelas enchentes, como as Avenidas Marquês de São Vicente, na zona oeste, e Moreira Guimarães, na sul. A ordem no governo é aproveitar a previsão de sol até o fim do mês para fechar buracos abertos por temporais. Calçadas de Higienópolis e Pinheiros, na zona oeste, como as da Avenida Angélica e da Rua Fradique Coutinho, estão ganhando novo piso. No início da semana, pistas das Avenidas Sumaré, Eusébio Matoso, Rebouças e Pedroso de Morais e da Rua Cubatão foram reformadas.

Dentro da estratégia de "embelezar" a cidade, o prefeito aumentou em 70% as verbas para canalização de córregos e limpeza de bueiros nos extremos leste e sul. Outra bandeira é recuperar áreas de lazer, parques e campos de futebol na periferia cujas estruturas e gramados foram destruídos pelas chuvas. O orçamento destinado à conservação de áreas verdes e parques saltou para R$ 80 milhões, ante R$ 62 milhões no ano passado.

Com ações de zeladoria nas 31 subprefeituras, o esforço da cúpula kassabista é resgatar a imagem do prefeito "bom gerente", que criou a Lei Cidade Limpa e era sempre o primeiro a aparecer em casos de tragédias - como a do avião da TAM em Congonhas e a cratera do Metrô. O mesmo, porém, não se repetiu quando o Jardim Pantanal, na zona leste, ficou submerso.

A avaliação entre subprefeitos e secretários é que a decisão de congelar no ano passado 20% das verbas das 31 subprefeituras também potencializou os efeitos das enchentes. O próprio Kassab admite ter parado as obras de zeladoria. Quando os alagamentos surpreenderam São Paulo no fim de setembro, o prefeito já havia cortado quase R$ 5 bilhões da estimativa de gastos para 2009. Com queda na arrecadação e as incertezas sobre o fim da crise financeira, ele redistribuiu as verbas. Os cortes se concentraram nos serviços de conservação da cidade, como a varrição das calçadas, a coleta do lixo e a limpeza de piscinões.

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