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Justiça decreta prisão preventiva do número 3 do PCC

Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, não compareceu ao seu julgamento nesta segunda-feira e não foi encontrado nos endereços fornecidos

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Alexandre Hisayasu e Marco Antônio Carvalho ,
O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2017 | 13h43

SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo decretou, nesta terça-feira, 21, a prisão preventiva de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, apontado pelo Ministério Público Estadual como o número 3 na hierarquia da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Gegê seria julgado nesta segunda-feira, 20, sob acusação de envolvimento em um duplo assassinato ocorrido em 2004. Uma manobra dos advogados, no entanto, obrigou o juiz Luis Gustavo Esteves Ferreira a adiar o julgamento para o dia 3 de maio. Os defensores renunciaram ao caso e o advogado substituto alegou que não teve tempo de analisar o processo. O promotor Rogério Leão Zagallo pediu a prisão do acusado.

Para justificar a prisão, o magistrado afirmou em seu despacho que Gegê não foi localizado em nenhum dos endereços que forneceu para receber a intimação e, embora o atual advogado tenha dito que precisava de tempo para estudar o caso, "o nobre defensor teceu considerações a respeito de detalhes deste processo", o que mostra que ele conheceria a investigação.

Além disso, segundo o juiz, "foram noticiados as sucessivas manobras defensivas visando ao retardamento injustificado do processo". O magistrado também determinou que seja nomeado um defensor público para defender Gegê do Mangue, caso os advogados do acusado tentem outra manobra para adiar o julgamento.

O julgamento desta segunda-feira representava a quinta tentativa de o júri popular analisar o caso, após sucessivos adiamentos resultados de recursos que tramitaram em cortes superiores.

Veja a íntegra da decisão judicial que decreta a prisão preventiva de Gegê do Mangue:

 

Assassinatos. Gegê ouviria do MP, nesta segunda-feira, que foi ele, em parceria com outros integrantes do PCC, que ordenaram a execução de Nilton Fabiano dos Santos, o Midas, e o Rogério Rodrigues dos Santos, o Digue, em 5 de outubro de 2004, na viela 16 da Favela do Sapé, no Rio Pequeno, na zona oeste da capital. Para sustentar essa visão, a promotoria pretende apresentar interceptações telefônicas em que mostram Gegê e comparsas discutindo o crime.

Os homicídios teriam sido motivados para vingar as mortes de traficantes conhecidos apenas como Micaratu e Zóio de Gato, braços do PCC na favela. Teriam sido Midas e Digue os responsáveis pelos assassinatos, supostamente motivados por disputa por ponto de venda de drogas na região.

Casa abandonada. Na semana passada, o Estado esteve na Rua Fidalga, número 1.010, endereço na Vila Madalena, na zona oeste, fornecido por Gegê quando foi libertado. A reportagem se deparou com um domicílio com sinais de abandono. A casa tem janelas quebradas, uma obra de primeiro andar deixada pela metade e um anexo em que o portão foi substituído por uma lona. Na garagem, um carro foi visto, mas ninguém respondeu às tentativas de contato. Fora, na caixa de correios, correspondências se acumulavam.

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