Justiça americana proíbe avó de ver S.

Justiça americana proíbe avó de ver S.

Silvana usou Convenção de Haia, mesmo instrumento que garantiu guarda ao pai David; advogado da família brasileira vai recorrer

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

04 Abril 2010 | 00h00

A Justiça de New Jersey proibiu a avó materna do menino S., de 10 anos, Silvana Bianchi, de visitá-lo nos Estados Unidos, informou o advogado da família brasileira, Sérgio Tostes. Ele disse ontem, porém, que vai recorrer da decisão. O menino foi levado em dezembro pelo pai americano, David Goldman, após uma disputa judicial de cinco anos no Brasil.

A avó está nos Estados Unidos e deve voltar hoje ao País. "O pai (biológico) sempre negou e impediu o contato", disse Tostes. O pedido de Silvana foi baseado na Convenção de Haia - o mesmo documento internacional usado pelo pai americano na Justiça brasileira para conseguir a guarda do filho.

"Ele alegava que (o contato) seria prejudicial à adaptação da criança. Também obrigava que os telefonemas fossem em inglês, para que pudesse monitorá-los. Não restou alternativa a não ser ir à Corte com um pedido para ter direito à visitação", disse Tostes.

Encontros. A Justiça americana, como relatou Tostes, aceitou os argumentos de Goldman, de que no momento a visitação "seria prejudicial e poderia atrapalhar o relacionamento com o pai". Ainda segundo ele, houve apenas um encontro da avó com o garoto desde que ele foi para os Estados Unidos com o pai, mas "foi um fracasso total", por causa das "restrições".

"É evidente que isso significa que o menino não quer ficar nos Estados Unidos. Ele conseguiu mandar um e-mail escondido do pai, usando um videogame, e disse que está muito infeliz, morrendo de saudade e inseguro", contou Tostes.

Nesta semana, a família brasileira deve decidir quais medidas serão tomadas na Justiça americana e no Brasil. "A ação brasileira não está encerrada", disse Tostes. "Tenho confiança de que o Supremo Tribunal Federal vai permitir que o menino se manifeste", afirmou Tostes. "Trazê-lo de volta é outro problema."

O advogado de David Goldman no Brasil, Ricardo Zamariola, não quis comentar o caso. Ele disse que questões relacionadas à visitação são tratadas pela advogada americana Patricia Apy, que não foi localizada.

PARA LEMBRAR

A disputa envolvendo a guarda de S. começou em 2004, quando a mãe dele, Bruna Bianchi, veio para o Brasil e, por telefone, pediu o divórcio do marido. Em 2008, Bruna morreu durante o parto. O padrasto de S., João Paulo Lins e Silva, obteve a guarda do garoto. A decisão criou uma crise diplomática entre o Brasil e os EUA, só resolvida em 2009, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que o menino fosse entregue ao pai, David Goldman.

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