Jurados se reúnem para sentença de último júri do Carandiru

Após reunião, juiz dará veredito aos 15 policiais acusados por oito mortes no Pavilhão 9; os jurados terão de responder em torno de 600 perguntas

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

02 Abril 2014 | 15h51

SÃO PAULO - Seis homens e uma mulher estão reunidos nesta quarta-feira, 2, na sala secreta do Plenário 10 do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, para dar o veredito dos 15 PMs acusados por 8 mortes no Pavilhão 9 do Carandiru, em outubro de 1992. Esse é o último dos quatro júris das 111 mortes na antiga casa de detenção. Os debates foram encerrados por volta das 15 horas.

O jurados terão que responder várias séries de quesitos, que perguntam sobre se os réus contribuíram com sua ação para a morte de cada vítima. O juiz Rodrigo Tellini preferiu não questionar os jurados sobre cada tese de defesa que excluem a conduta criminosa dos réus, como legítima defesa e cumprimento do dever legal. A medida foi aceita pela defesa.

Segundo Tellini, se os jurados responderem somente se absolvem ou não o réu, a defesa terá matematicamente mais chances de ganhar, pois pode haver divergência entre o júri por qual motivo eles entendem que os PMs não devem ser condenados. A expectativa é que eles respondam em torno de 600 perguntas, dependendo do resultado.

Tréplica. A defesa está usando seus momentos finais para tentar conseguir a absolvição. O advogado Celso Vendramini teve mais duas horas para convencer os sete jurados a não condenarem os 15 PMs do Comando de Operações Especiais (Coe).

Vendramini voltou ao tom mais agressivo nesta quarta-feira, 2, e combateu uma suposta "ideologia socialista" e "revanchismo" contra o regime militar que estaria condenando os PMs agora. Além disso, entrou no campo religioso, entrando em uma pequena discussão com o promotor Eduardo Olavo Canto.

Vendramini afirmou que, antes do plenário, pediu que Deus o ajudasse a ser claro, porque queria ser compreendido pelos jurados, independentemente da sentença. "Deus, me ajude a ser claro. Coloque na minha boca as palavras certas para falar ao jurados", disse ele, de cabeça enrubescida, limpando os olhos com um lenço. Após o advogado dizer que "a Justiça divina é infalível", o promotor citou um dos mandamentos: "Não matarás". Vendramini rebateu: "O senhor já vai pagar no fogo do inferno".

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