Juiz corta transmissão de júri após bate-boca

Discussão no julgamento de Mizael envolveu defensor e irmão de Mércia Nakashima

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h06

O primeiro dia do júri do ex-PM Mizael Bispo de Souza, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, em maio de 2010, teve briga, choro e até imagens censuradas: diante das câmeras em uma sala do Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. Como em um reality show, no primeiro tribunal do júri transmitido ao vivo no País, coube ao juiz dirigir câmeras - e cortar a imagem, quando achou necessário. Entre os depoimentos, destacou-se o irmão de Mércia, Márcio, que buscou defender a "honra" da irmã.

Apesar do clima de "big brother", uma testemunha pediu para não ter a imagem divulgada e outra não quis nem que sua voz aparecesse. Em outro momento, após um bate-boca entre o irmão da vítima e primeira testemunha, Márcio Nakashima, e um dos advogados de Mizael, Ivon Ribeiro, as imagens deixaram de ser divulgadas por ordem do juiz Leandro Bittencourt Cano.

Os três advogados de defesa, no caso, adotaram posturas diferentes em sua estratégia para tentar desconstruir a tese do irmão da vítima, que aponta Mizael de Souza como autor do crime. Samir Haddad Júnior tentou demonstrar simpatia, Wagner Aparecido Garcia fez questionamentos técnicos, e Ribeiro foi mais incisivo, explorando contradições.

Durante as quatro horas de depoimento, Márcio Nakashima chorou por nove vezes, como quando foi obrigado a lembrar do último dia em que viu a irmã com vida e ao descrever o perfil dela. Já a defesa buscou desestabilizá-lo emocionalmente para realçar as contradições para o júri - formado por cinco mulheres e dois homens.

Segunda testemunha, o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo reafirmou que a alga presente em uma lâmina entregue a ele, retirada do sapato de Souza, é encontrada na represa de Nazaré Paulista, onde o carro com o corpo de Mércia foi jogado.

No fim da noite, uma discussão sobre o local onde estava Mizael na noite do crime foi outro momento tenso. O engenheiro Eduardo Amato Tolezani (Poli-USP) disse que era impossível o réu estar no estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, como afirmou em depoimento, pois recebeu uma ligação por uma torre de celular distante dali. O advogado Ivon Ribeiro questionou o trabalho de Tolezani, o que causou a revolta do promotor Rodrigo Merli Antunes.

Houve bate-boca e o juiz cassou a palavra do promotor, por se manifestar demasiadamente. "Eles querem cansar e confundir os jurados para se beneficiar da dúvida", afirmou Antunes.

Continuidade. Hoje, serão ouvidas duas testemunhas de acusação: o delegado Antonio Assunção de Olim, que comandou as investigações, e o advogado Arles Gonçalves Junior, que acompanhou depoimentos do vigia Evandro Bezerra da Silva, apontado como cúmplice, que diz ter sido torturado para confessar. /COLABOROU MÔNICA REOLOM

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