Marianna Holanda/Estadão
Marianna Holanda/Estadão

Jovem é vítima de estupro à tarde na Avenida Paulista

Crime ocorreu no início da tarde desta terça-feira, 29; o suspeito foi mantido no ônibus pelo motorista até a chegada da polícia

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 17h08
Atualizado 02 Setembro 2017 | 19h15

SÃO PAULO - Uma jovem de 23 anos foi vítima de estupro em um ônibus na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, na tarde desta terça-feira, 29. Os policiais prenderam em flagrante o ajudante geral Diego Ferreira Novais, de 27 anos, suspeito do crime. Segundo a Polícia Civil, ele já tinha outras duas passagens por crimes sexuais, a última delas no ano passado.

De acordo com as investigações, Novais havia sido preso por estupro em 2013. No ano passado, também foi detido em flagrante por praticar ato obsceno, mas recebeu liberdade em audiência de custódia. Transferido para a carceragem da Polícia Civil, o suspeito será apresentado nesta quarta a um juiz no Fórum da Barra Funda, zona oeste, para decidir sobre a prisão.

Testemunhas relataram que a jovem estava sentada em um banco ao lado do corredor quando Novais, que estaria em pé, na sua frente, tirou o pênis da calça e ejaculou em cima da vítima. Os dois viajavam em um ônibus da Linha 917 M-10 (Morro Grande-Metrô Ana Rosa).

Logo após o crime, o motorista parou a condução, perto do cruzamento da Paulista com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, e mandou todos os passageiros descerem. O agressor, porém, ficou retido no veículo.

Testemunhas ligaram para a Polícia Militar por volta das 13h20. Em questão de poucos minutos, o local reunia dezenas de pessoas, de curiosos a revoltados com o crime.

Muito abalada, a jovem ficou sentada em um canteiro, onde recebeu ajuda de mulheres desconhecidas, que logo ligaram para a sua família. Entre as que ofereceram auxílio, havia uma integrante de uma associação de apoio a vítimas de violência sexual, que passou o contato do grupo. Várias pessoas ofereceram de palavras de consolo a até acompanhá-la ao 78.º Distrito Policial (Jardins), onde o caso foi registrado.

Da multidão, outras pessoas gritavam por “justiça”, além de xingarem e ameaçarem o suspeito de linchamento. Os PMs chegaram rápido, em bicicletas e motos, e se revezaram para falar com o homem. Os policiais também impediam que o grupo chegasse perto do ônibus.

Em nota, a SPTrans lamentou e repudiou o ocorrido em um ônibus do sistema municipal de transportes. "Para abolir esta prática criminosa dos ônibus e outros meios de transporte coletivo na cidade, a SPTrans aderiu à campanha Juntos podemos parar o abuso sexual nos transportes", diz a nota.

Segundo o órgão, o objetivo é buscar a cooperação de instituições públicas e privadas para combater a violência sexual nos transportes. 

"A atitude tomada pelos operadores do ônibus é aquela esperada nestes casos. Motorista e cobrador agiram corretamente impedindo a evasão do agressor até a chegada da polícia e preservando a segurança de todos os passageiros. As autoridades policiais sempre devem ser acionadas para que façam o encaminhamento da ocorrência", diz a SPTrans. 

Recorrente. O caso da Paulista aconteceu um dia depois de a escritora Clara Averbuck, de 38 anos, relatar nas redes sociais ter sido vítima de estupro e agressão física cometidos por um motorista do Uber. “Estou mais forte, vou ficar mais e ninguém me derruba”, declarou a escritora em seu Instagram. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.