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'Já me bateram até grávida', diz mulher de camelô morto por PM

Segundo a ambulante Cláudia Silva Lopes, a truculência de policiais contra vendedores é recorrente; corpo será enterrado no Piauí

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Felipe Resk,
O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2014 | 12h15

SÃO PAULO - "Não é a primeira vez nem a quinta que isso aconteceu. É o de sempre. Já me bateram até quando eu estava grávida", afirmou a vendedora ambulante Cláudia Silva Lopes, de 31 anos, mulher do camelô Carlos Augusto Muniz Braga, de 30 anos, que foi morto por um policial militar na tarde desta quinta-feira, 18, na Lapa, zona oeste da capital paulista. "Por que o governo coloca policial despreparado para lidar com pessoas? E agora como vou sustentar minhas três crianças?", questionou Cláudia, que tem filhos de 4, 9 e 12 anos. Ela disse ainda que não a deixaram ver o corpo do marido.

O corpo do ambulante está no Instituto Médico Legal (IML) do Hospital das Clínicas (HC), na zona oeste de São Paulo, e vai ser levado para a cidade de Simplício Mendes, no Piauí, onde Braga nasceu. Segundo Cláudia, no entanto, ainda não há previsão para que o corpo seja liberado.

A ambulância demorou cerca de 20 minutos para prestar socorro e teve dificuldades para sair da Rua Doze de Outubro por causa do tumulto, informou a esposa do camelô. De acordo com ela, Braga não estava trabalhando na hora da confusão. Ele ia buscar um dos três filhos na escola quando viu outro vendedor ambulante imobilizado por policiais. 

Após o disparo, ela o acompanhou na ambulância até o HC, onde foi informada da morte do marido. "Me trouxeram uma sacola com as coisas dele: o par de sapato, as meias, o colar... Mas falaram que eu precisava prestar depoimento antes de ver o corpo."

Cláudia conta que foi encaminhada para o 91º Distrito Policial (Ceasa) para registrar um boletim de ocorrência.  Na delegacia, os policiais teriam dito para ela se dirigir ao 94º DP (Moema). "Mandaram a gente de lá para cá", disse. Segundo afirma, só conseguiu sair da delegacia às 2h.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP/SP) afirmou que o PM foi preso em flagrante na noite desta quinta-feira pelo batalhão a que pertence, o CPAM-5, e que foi igualmente autuado em flagrante pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) na madrugada desta sexta-feira, 19.

O policial já está no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.

A SSP/SP declarou que o caso é apurado tanto pela Corregedoria da PM quanto pela Polícia Civil e disse ainda que "não compactua com desvio de conduta de policiais".