Itu vive há 2 meses com cortes de água

Acordar de madrugada, comprar vários baldes e até tomar banho de chuva já é rotina na cidade paulista

JOSÉ MARIA TOMAZELA / ITU, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2014 | 02h03

A torneira do banheiro virou o despertador da comerciante Maria Marlene, de 56 anos, moradora do bairro Cidade Nova, em Itu, na região de Sorocaba. Ela acorda com o barulho da água chegando, por volta das 3h, e corre para abastecer, durante a madrugada, a caixa de 500 litros e meia dúzia de baldes e bacias que acomodam outros 200 litros. O bairro é abastecido uma vez a cada dois dias, mas às vezes a água da rua acaba antes de completar o enchimento. "Chegamos a ficar uma semana inteira sem uma gota de água, por isso compramos todos esses recipientes."

Com 157 mil habitantes, Itu foi uma das primeiras cidades paulistas a adotar, há dois meses, o racionamento em razão da crise hídrica. Com os níveis dos mananciais muito baixos, a prefeitura anunciou o corte diário no fornecimento das 6h às 17h para a região central, e abastecimento em dias alternados em bairros mais distantes.

A restauradora Claudia Tavaglieri, do bairro Pirapitingui, diz que a medida funcionou. "Antes, a gente ficava até dez dias sem água e o caminhão-pipa chegava com escolta, pois o povo atacava. Pelo menos agora, todo mundo recebe água."

A dona de casa Maria José da Silva, de 65 anos, do Jardim Oliveira 2, junta a roupa da semana para lavar toda de uma vez. A água usada na roupa é reservada em um tambor plástico para lavar o chão. Como o líquido sai da torneira amarelado, ela tem de comprar água de galão para o consumo e reclama do gasto extra. "São dois galões por semana, o que dá R$ 48 por mês."

Os três filhos do comerciante Edivan Lucas de Souza, do bairro Bom Viver, perderam a aula na segunda-feira porque não tinham água para o banho. "Na última chuva, os três tomaram banho de chuva", conta Souza. Seu vizinho, o também comerciante Francisco Rodrigues dos Santos, lucra com a crise, vendendo galões de água potável. "É o que mais vendo, mesmo sem ter água na minha torneira." Em dois bairros, a reportagem flagrou moradores lavando carros e calçadas.

O racionamento e as chuvas de março ajudaram na recuperação dos mananciais. Na barragem do Itaim, praticamente seca em janeiro, o nível está apenas 1,5 metro abaixo da cota mais alta. Mas, segundo a empresa Águas de Itu, responsável pelo abastecimento, as chuvas foram insuficientes para acabar com o racionamento. Choveu 40% do esperado e ainda há risco de faltar água na época de estiagem, de junho a agosto.

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