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Investigador da Corregedoria da Polícia Civil espanca lojista

Policial teria defendido consumidora que queria dinheiro de volta; SSP diz que imagens mostram ‘claramente atitude criminosa’

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Alexandre Hisayasu,
O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2016 | 23h46

Destacado na Corregedoria da Polícia Civil para fiscalizar e investigar crimes praticados por integrantes da corporação, o investigador José Camilo Leonel, de 51 anos, foi flagrado por câmeras de uma loja de tapetes nos Jardins, zona sul da capital, espancando o proprietário e apontando uma arma contra ele. 

O caso foi mostrado neste domingo, no Fantástico, da TV Globo. As agressões aconteceram na Trabiz Tapetes, que fica na Avenida Brasil. No dia 21 de janeiro, a estudante Iolanda Delce dos Santos, de 29 anos, foi até a loja exigir que fosse devolvido o valor pago por um tapete persa comprado em dezembro. Ela decidiu devolver o objeto.

O dono da loja, Navid Rasolifard Saysan, propôs dar um vale-compras. Como os dois não chegaram a um acordo, Iolanda saiu dizendo que iria chamar a polícia. O investigador Leonel apareceu minutos depois e exigiu que o comerciante atendesse ao pedido dela. Houve então discussão, seguida pelas sequência de agressões.

O proprietário, os funcionários e a cliente foram levados até a Corregedoria para registrar a ocorrência. Lá, Leonel disse que estava passando pela avenida quando atendeu ao “apelo” de Iolanda. Ele entrou armado porque pensou que um assalto estaria em curso no local, mas eram Iolanda e Saysan discutindo. O investigador afirmou que sugeriu apresentar o caso na delegacia, mas, como o comerciante recusou, foi “obrigado a usar a força física”. 

A advogada do comerciante, Maria José da Costa Ferreira, informou que fez uma representação na Corregedoria e no Poder Judiciário contra o investigador. Iolanda não quis comentar o caso. A Secretaria da Segurança Pública disse que vai investigar o policial pelas agressões, por abuso de autoridade e uso da viatura durante as férias. Disse ainda que as imagens demonstram “claramente a atitude criminosa do investigador” e que nesta segunda-feira, 15, ele terá de entregar arma e distintivo. Ainda de acordo com a pasta, também será instaurado inquérito contra Iolanda por incitação a crime.

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