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Interpol 'visita' casa de Roger Abdelmassih no Paraguai

Pablo Pereira, enviado especial a Assunção - O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2014 | 03h 00

Agentes tentam localizar a mulher do ex-médico para esclarecer envolvimento na falsificação de documentos usados durante fuga

ASSUNÇÃO - A caçada internacional a Larissa Maria Sacco, de 37 anos, mulher do ex-médico Roger Abdelmassih, de 70, começou nesta sexta pela manhã em Assunção, no Paraguai. Eram 11 horas (horário local), quando uma equipe da Interpol, chefiada pelo comissário Francisco Javier Cristaldo, chegou à casa onde a família morou clandestinamente. Portando um documento com informações sobre Larissa, com a foto dela impressa, o policial confirmou que a brasileira estava desaparecida.

Segundo a polícia local, ela estaria no Brasil desde terça-feira à noite, quando seu marido foi capturado em Assunção, onde ficou por três anos e meio. Ele foi condenado a 278 anos de prisão por 48 estupros contra 37 vítimas.

Clayton de Souza/Estadão
Polícia da Interpol vai até a casa do ex-médico em Assunção atrás de pistas de Larissa

Embora não haja uma ordem formal de prisão contra ela, esclareceu Cristaldo, a Interpol tenta localizar Larissa para esclarecer eventual envolvimento na falsificação de documentos usados por Abdelmassih na permanência na capital paraguaia. Cristaldo disse que o carro Mercedes-Benz que era usado pelo ex-médico continua na garagem da casa, e que procurava também o motorista da família, que vive em San Lorenzo, a cerca de 30 quilômetros de Assunção.

De acordo com o comissário Miguel Arevalo, do setor de identificação da polícia nacional paraguaia, os documentos de Abdelmassih, que usava o nome de Ricardo Galeano, são uma falsificação grosseira. Apontando detalhes da carteira, como a foto quadrada (o normal é que seja oval), e uma assinatura do policial Gumercindo Cardoso, que à época não era o encarregado do setor, Arevalo tentava demonstrar que a cédula de identidade de Ricardo Galeano, com a foto de Abdelmassih, havia sido falsificada fora do sistema oficial.

"À época da emissão, em 2009, o chefe do setor, que deveria assinar esse documento, era Nelson Jordan e não Gumercindo", afirmou. "Esta falsificação pode ter ocorrido no interior, região de Pedro Juan Caballero. É um modo de falsificação que se encontra também em documentos de narcotraficantes que atuam naquela região", explicou o comissário.

"Há erros de data e até de alinhamento dos elementos da carteira", disse, comparando uma fotocópia com uma carteira normal do sistema.

O problema principal, segundo o policial, é que o número da carteira era realmente de uma pessoa chamada Ricardo Galeano, nascido na pequena comunidade de Colônia Dr. José Gaspar Rodriguez de Francia, no interior do país. Ele não soube responder onde vive o verdadeiro Ricardo Galeano, se está vivo ou morto. "Estamos investigando isso", declarou.

Casa vazia. Na imobiliária Saturno, onde Abdelmassih alugou o imóvel com documento falso, a casa continua constando como ocupada. Está trancada e sem moradores desde a noite de terça-feira, quando Larissa foi vista no local pela última vez. Fontes da polícia paraguaia, que nos últimos dias monitoravam a família e participaram da captura feita no início da tarde da última terça-feira, garantiam que ela havia deixado o país por Ciudad del Este naquela mesma noite. "Se ela está no Brasil ou voltou ao Paraguai, não se sabe", disse um policial da Interpol. "Vamos continuar investigando", afirmou no final da tarde de sexta-feira.

Abdelmassih foi preso na terça-feira e trazido ao Brasil no mesmo dia. Na quarta-feira, foi levado para a Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba, onde cumprirá pena.

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