Infestação por cupim também preocupa

Inseto deixa tronco e raiz frágeis, incapazes de sustentar as copas; eucaliptos e alfeneiros são os mais afetados

, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2010 | 00h00

O censo arbóreo do Ibirapuera aponta infestação de cupins em 1.499 árvores do parque, quase 10% do total. No Parque da Água Branca, na zona oeste, por exemplo, esse índice é de 2%. Entre as árvores infestadas - a maioria, eucaliptos e alfeneiros -, 666 apresentam infestação "intensa", principalmente no tronco, conforme assinalaram no estudo os técnicos da Esalq.

Os efeitos são raízes frágeis e troncos que não sustentam as copas, o que desequilibra as árvores. Na pista de cooper, com eucaliptos de alturas entre 20 e 40 metros, há 158 árvores intensamente infestadas. No playground, 34 árvores apresentam esse quadro. E no Portão 9, ponto mais problemático, há 109 árvores infestadas.

Em um universo no qual mais da metade das árvores (7.829, ou 52%) apresenta algum tipo de inclinação, o grau de infestação se torna ainda mais relevante. "Em árvores muito inclinadas, falhas mecânicas podem ser fatais. Cupins podem causar falhas que a planta, desequilibrada, pode não aguentar", disse o pesquisador Demóstenes Ferreira da Silva. "Deve haver prioridade na desinfestação."

Avaliação. Embora todas as árvores tenham sido avaliadas, a extensão da análise de cupins é limitada. "Fizemos análise visual, muitas vezes prejudicada por chuvas. O ideal é que seja feito prospecção em cada árvore para saber exatamente o nível da avaria", explicou Silva.

O problema dos cupins se estende também às estruturas existentes dentro do parque. O Museu Afro Brasil, por exemplo, incluiu no plano anual da instituição a contratação de serviços para controle da praga. "Somos suscetíveis, pois o prédio é antigo, com estruturas de madeira entre o concreto, numa área rodeada de árvores. E muito do acervo é composto por obras de madeira", afirmou o curador-chefe, Emanoel Araújo. "Em março, levamos 2 mil peças ao Instituto Biológico, para descupinização."

Em 2008, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente contratou o Instituto Biológico para elaborar plano de combate aos cupins do parque. O trabalho está em fase final - falta decidir qual produto será usado para eliminar a praga - e a expectativa é que o tratamento seja iniciado em setembro. / V.H.B.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.