Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Incêndio destrói mais da metade do prédio do Mercado de Santo Amaro

Segundo tenente-coronel, estabelecimento não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros aprovado; ninguém ficou ferido

Ana Paula Niederauer, Paulo Beraldo e Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2017 | 05h54
Atualizado 25 Setembro 2017 | 15h09

SÃO PAULO - Um incêndio de grandes proporções destruiu mais da metade da estrutura do prédio do Mercado Municipal de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, na madrugada desta segunda-feira, 25. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 3h30 e levou em torno de duas horas para controlar o fogo. Ninguém ficou ferido.

+++ Leia mais notícias de São Paulo

Uma equipe de 50 bombeiros e 17 viaturas trabalhou no combate às chamas no local, na Rua Ministro Roberto Cardoso Alves. O trabalho de rescaldo continuou até o início da tarde, e o trânsito no entorno foi interditado para a operação.

O tenente-coronel Marcelo Higino Alves da Silveira, comandante da Emergência do 4º Grupamento de Bombeiros da Zona Sul, declarou que o estabelecimento não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) aprovado. Segundo ele, cerca de 50% a 60% do mercado foi destruído.

A aposentada Astrid Fernandes, moradora de um prédio vizinho, afirmou que o porteiro ligou às 3h30 para os condôminos retirarem os carros estacionados nas vagas em frente ao mercado.

"Quando eu abri a janela já vi muito fogo. Eram labaredas enormes", disse Astrid. "Acredito que a Prefeitura tem que restabelecer o local o mais rápido possível e ver de quem é a responsabilidade."

Prejuízo

Proprietário de um comércio de grãos importados há 16 anos, Manoel Serra estimou que o prejuízo com o incêndio possa chegar a R$ 1 milhão. "Eu vou pegar o auxílio do contador e ver o que posso fazer para os funcionários. Nunca passei por isso. Não posso deixá-los na mão." 

Já Amadeu Martins Rosa, proprietário de uma loja de bebidas há 20 anos, espera que a reconstrução do mercado aconteça antes do fim do ano. "Espero que até dezembro o mercado volte a funcionar. Senão trabalharmos no mês de dezembro, vamos nos prejudicar e muito. É um mês de grande movimentação", afirmou.

A secretária municipal de Trabalho e Empreendedorismo, Aline Cardoso, afirmou que a Prefeitura se sensibilizou com a situação e que está dando apoio aos permissionários.

"Há um compromisso de apoio para que o mercado seja restabelecido o mais rápido possível. Além dos recursos próprios iremos buscar apoio do setor privado", disse a secretária. "Queremos viabilizar um espaço provisório para acolher os permissionários enquanto o mercado estiver sendo reformado."

Já o prefeito regional de Santo Amaro, Roberto Arantes, anunciou a criação de um comitê de crise a pedido do prefeito João Doria (PSDB) para traçar as estratégias de recuperação do local. "Foi uma fatalidade e iremos analisar a estrutura para que possamos restabelecer o mais rápido possível", disse Arantes.

Temor

A presidente da Associação dos Permissionários do Mercado de Santo Amaro, Fátima Habimorad, afirmou ter medo de que o estabelecimento seja privatizado após a reforma.

"Tenho muito medo da privatização após a revitalização do local, mas acredito que o prefeito Doria não vai fazer uma medida tão impopular como essa", disse Fátima. "Penso que o prefeito irá fazer o contrário, não vai nos deixar nessa hora."

O "sacolão" de comércio popular funciona desde 1958 no prédio entre as Ruas Padre José de Anchieta e Ministro Roberto Cardoso Alves, no bairro de Santo Amaro. No local, 26 estabelecimentos ofereciam frutas e verduras, carnes, flores, lanches, entre outros produtos e serviços, conforme a associação de permissionários que administra o mercado.

Muitos lojistas permanecem acompanhando o trabalho dos bombeiros e relataram não ter garantia de seguro contra danos à construção. Após o rescaldo do incêndio, o prédio será vistoriado para que a extensão dos estragos seja levantada e comece a investigação. O Corpo de Bombeiros não descarta nenhuma hipótese para as causas do incêndio até o momento.

Mais conteúdo sobre:
Corpo de Bombeiros

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.