Incêndio atinge favela e mata criança de 2 anos na zona leste de SP

Primeiros barracos foram construídos há 38 anos; estima-se que cerca de 200 pessoas morem no local

Damaris Giuliana, de O Estado de S.Paulo, e Priscila Trindade e Ricardo Valota, do estadão.com.br

29 Abril 2010 | 10h02

 

SÃO PAULO - Uma criança morreu e duas pessoas ficaram feridas, na noite desta quarta-feira, 28, em um incêndio que atingiu a Favela do Pau Queimado, localizada na Rua Arnaldo Cintra, região do Parque São Jorge, próximo à Marginal do Tietê, na zona leste de São Paulo.

 

O fogo teve início às 18h15 e foi controlado às 19h30 por um efetivo de 62 homens dos bombeiros. A última das 28 equipes que foram acionadas para a favela deixou o local às 22h05. A primeira chegou às 18h34. Segundo o Centro de Operações dos Bombeiros, foram 15 os barracos destruídos por completo ou parcialmente. Moradores afirmam que pelo menos cinco barracos ficaram completamente destruídos e que na área de 150 m² atingida pelo fogo moravam 20 crianças e 15 adultos.

 

A Subprefeitura da Mooca, responsável pela administração da região, calcula que o número de pessoas desabrigadas gire em torno de 60 a 70. A Favela do Pau Queimado ocupa uma área particular de 44 mil m². Os primeiros barracos foram construídos há 38 anos e hoje moram no local cerca de 200 pessoas.

 

Morte

 

Eram 20h50 quando os bombeiros encontraram em meio aos escombros de um dos barracos o menino Cristyan David Mello Sena, de 2 anos, que fez aniversário no último dia 16. O pai, o pizzaiolo Rodrigo de Oliveira Sena, de 23 anos, e a mãe, a dona de casa Cláudia de Mello Lima, 28, estavam na sala quando o fogo teve início na favela.

 

O menino dormia no quarto da avó. As demais pessoas da família, entre elas Kevin, de 3 anos, e Yasmin, de 8 meses - dois dos três irmãos do menino morto - foram retiradas a tempo pelo casal, mas o fogo já havia tomado conta de todo o barraco quando os pais de Cristyan tentaram voltar para resgatar o garoto.

 

"O fogo veio muito rápido, todo mundo correu. Até perceberem que o menino ainda estava lá já era tarde", disse a estudante Natália Brito Porto dos Santos, 17, que também teve a casa queimada. "Não dava para entrar com balde d'água, não tinha o que fazer, lamentou Vaste Oliveira Brito, 69, vizinha das vítimas.

 

Causa

 

O caso foi registrado pela Polícia Civil como incêndio e homicídio culposos. Ainda não se sabe o que causou o início das chamas. "Algumas pessoas dizem que tinha um rapaz colocando fogo em cobre; outros dizem que foi um curto-circuito. Também falaram que usuários de drogas teriam provocado o incêndio", disse a líder comunitária Zeneide Maria de Lima, de 49 anos.

 

Feridos

 

Segundo os bombeiros, duas pessoas ficaram feridas, entre elas um dos policiais que combatiam as chamas. Vítima de intoxicação, um senhor de 70 anos foi levado para o pronto-socorro da Vila Maria. Um dos bombeiros, que teve um corte em um dos braços, foi levado para um hospital conveniado em Santa Cecília, região central da cidade.

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