Inaugurada em 1888, Casa Godinho vira 'patrimônio imaterial' de São Paulo

Resolução do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico considera que o estabelecimento ainda mantém características dos antigos empórios de secos e molhados

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2013 | 16h18

SÃO PAULO - Inaugurada em 1888 no centro de São Paulo, a Casa Godinho foi declarada patrimônio cultural imaterial da cidade. A resolução do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp), publicada nesta quinta-feira, 24, no Diário Oficial da Cidade, leva em conta que o estabelecimento "ainda mantém o sistema de atendimento ao cliente no balcão, direto e pessoal, característico dos antigos empórios de secos e molhados."

É a primeira decisão do Conpresp que torna patrimônio da cidade um bem imaterial. Na fila para ganhar o mesmo status da Casa Godinho estão o sotaque da Mooca e a Festa de San Genaro, cujos pedidos para se tornarem bens imateriais seguem sob análise do órgão municipal.

As prateleiras de embuia do século 19 e o clima de armazém tornam a Casa Godinho um lugar único no centro paulistano. Quem deixa a movimentada calçada da Rua Libero Badaró e entra na mercearia, instalada desde 1924 no térreo do Edifício Sampaio Moreira, parece mudar de época. Balconistas acompanham clientes desde a escolha dos produtos ao pagamento, como no comércio antigo.

São essas características de armazém que agora precisam ser preservadas, independentemente se o proprietário do local mudar. O pedido para que o comércio se tornasse um bem imaterial foi feito no ano passado pela pesquisadora da USP Fatima Martin Rodrigues Ferreira Antunes. O imóvel onde fica a mercearia está em processo de tombamento desde 2009 - o Edifício Sampaio Moreira, com 13 andares, foi um dos primeiros "arranha-céus" da capital paulista.

Dono da Casa Godinho há 19 anos, Miguel Romano, de 54 anos, diz nunca ter nem pensado em mudar o atendimento e o "layout" de empório do século passado. "Mesmo após a informatização da casa resolvemos manter as prateleiras antigas, o atendimento direto no balcão. Essa é a 'graça' do lugar, hoje em qualquer supermercado já dá pra comprar os produtos importados que nós temos", afirma Romano.

Na Casa Godinho a estrela sempre foi o "legítimo e único" bacalhau da noruega. São 50 quilos do pescado vendidos por semana. O novo proprietário também incluiu no cardápio oito tipos de empadas vendidas no balcão - uma das mais pedidas é a de alheira, um embutido de porco, pão e alho.

O estabelecimento foi aberto em 1888 na Praça da Sé, pelo português José Maria Godinho. Com 38 anos de funcionamento, a Casa Godinho transferiu-se com móveis e tudo para o térreo do Edifício Sampaio Moreira, na Rua Líbero Badaró, onde permanece até hoje.

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