Impasse entre Prefeitura e Metrô pode atrasar hospital na zona norte de SP

Construção do Hospital da Brasilândia depende de um acordo com a empresa de transporte sobre trilhos do governo do Estado

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2014 | 08h18

SÃO PAULO - Um impasse entre a Prefeitura e o Metrô de São Paulo pode atrasar o início das obras de um hospital público na zona norte da capital paulista. Prevista para começar em agosto, a construção do Hospital da Brasilândia - um dos três que a gestão Fernando Haddad (PT) quer entregar até 2016 - ainda depende de um acordo com a empresa de transporte sobre trilhos do governo do Estado, comandado por Geraldo Alckmin (PSDB).

Tudo gira em torno do terreno onde o equipamento de saúde será erguido, na Estrada do Sabão, no Jardim Maristela. O mesmo espaço, que pertence ao município, também foi destinado para a futura Estação Vila Cardoso, da Linha 6-Laranja do Metrô - a primeira totalmente construída e operada pela iniciativa privada, por concessão. As desapropriações para a escavação do ramal metroviário estão previstas para este semestre.

"Nós vamos ter que compatibilizar os dois projetos. Queremos o metrô, mas também queremos o hospital", disse Haddad nesta quinta-feira, 3, em evento sobre o programa de metas da Prefeitura, no centro. "Eles (o Metrô) não vão precisar do terreno inteiro, então acho que dá para fazer um acordo." Atualmente, funcionam na área um sacolão municipal e um clube escola, onde existem quadras de futebol.

"Pelas dimensões do terreno, como a faixa de domínio que eles estão pedindo é de 20 metros, estou entendendo que é só uma mudança da área de implantação", disse Haddad, que, no entanto, lançou a possibilidade haver percalços e adiamento da licitação em caso de desentendimento com o governo do Estado. "Talvez a gente perca alguns meses, mas vai ser importante refazer (o projeto do hospital) se o Metrô pedir espaço."

Segundo o prefeito, o projeto do Hospital da Brasilândia deve ficar pronto nas próximas semanas, ainda em abril. Caso o Metrô não seja um "obstáculo", a licitação sai logo em seguida. O empreendimento será custeado por meio de um convênio com o Ministério da Saúde, por meio de recursos oriundos do Orçamento Geral da União.

Os outros dois hospitais que Haddad quer erguer em seu mandato ficam em Parelheiros, na zona sul, e na Vila Matilde, na leste. O primeiro está em fase mais avançada, já em fase de desapropriação. "Nesta quarta, entregamos o projeto básico do hospital para a Caixa Econômica Federal. Vai ser financiado com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal)."

Já a Linha 6-Laranja do Metrô está prevista para abrir parcialmente em 2018. O consórcio vencedor para tocar o empreendimento, que custará R$ 9,6 bilhões, é o Move São Paulo, formado por Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC Participações e Fundo Eco Realty, que irá administrar a Linha 6 por 19 anos após a sua entrega total, até a Estação São Joaquim, prevista para 2020. As desapropriações serão pagas com recursos do governo, mas feitas pela iniciativa privada. Ao todo, a Linha 6 transportará 633 mil passageiros por dia útil, em média.

PPP da iluminação. Haddad também afirmou nesta quinta que a Prefeitura lançará um edital para substituir todas as 580 mil lâmpadas dos postes da cidade por equipamentos de LED (sigla em inglês para diodo emissor de luz), de luz branca bem mais potente do que a amarela atual, de vapor de sódio.

Elas também consomem menos energia. "Em sete anos, tudo vai ser trocado. Para vocês terem uma ideia de como vai ser São Paulo, basta andar hoje na 23 de Maio, que é uma espécie de aperitivo do que pode ser a iluminação. Poderemos ter a melhor iluminação pública do mundo se tivermos êxito com a licitação." O projeto será tocado por meio de uma parceria público-privada (PPP), prevista para ser lançada ainda em 2014.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.