Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Imobiliária Social ajuda no sonho da casa própria

Projeto aproxima construtoras de inscritos na Cohab com renda para comprar imóvel

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2011 | 03h02

A assistente administrativa Elenice Félix da Silva, de 43 anos, nunca pensou que poderia comprar um imóvel próprio. Como tudo o que ela ganha por mês é gasto com aluguel e alimentação, sempre foi difícil juntar qualquer quantia para dar entrada em um apartamento. Uma solução simples e sem gastos para a Prefeitura de São Paulo, porém, ajudou Elenice e outros 4,5 mil paulistanos a finalmente adquirir a casa própria.

Trata-se da Imobiliária Social, projeto da Secretaria de Habitação que ajuda construtoras e incorporadoras a encontrar pessoas cadastradas na lista da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab-SP) com poder aquisitivo suficiente para comprar um imóvel, embora muitas vezes não saibam disso. O programa existe desde 2009, mas foi no último ano - com o lançamento dos subsídios federais Minha Casa, Minha Vida - que diminuiu o preço médio de apartamentos voltados às classes C e D.

O apartamento comprado por Elenice, por exemplo, está em fase final de construção e teve seu valor abatido por causa do programa federal. "O preço total era de R$ 81 mil, mas tive cerca de R$ 20 mil de subsídio. Financiei a longo prazo e vou pagar só R$ 350 mensais", comemora. Hoje, ela mora com três filhas na região do Cambuci, no centro da capital, e paga quase o dobro desse valor. "O novo apartamento é na Mooca, um lugar ótimo. Finalmente vai sobrar algum dinheiro para o lazer."

Funcionamento. Segundo a Cohab, 26 edifícios, somando 4,5 mil apartamentos, já foram vendidos por meio da Imobiliária Social, em bairros como Brás, Vila Carrão, Itaquera e centro.

O sistema funciona da seguinte maneira: o paulistano coloca seu nome, sua renda e os locais em que gostaria de morar na lista da Cohab, que possui mais de 1 milhão de pessoas na fila. A Prefeitura então firma parcerias com construtoras interessadas em quem está na lista e possui renda suficiente para conseguir adquirir seu próprio apartamento. Não há limite de valor, mas o preço médio das unidades fica entre R$ 70 mil e R$ 170 mil - o limite para receber subsídios do Minha Casa, Minha Vida.

O programa funciona ainda melhor para quem não possui perfil prioritário na fila da Cohab, como pessoas de renda média - segundo a companhia, 25% dos cadastrados na lista ativa têm renda familiar superior a três salários mínimos por mês (R$ 1.635 mensais) e são alvo potencial do projeto. Outro grupo que se beneficia com a Imobiliária Social são solteiros ou jovens casais que ainda não possuem filhos, o que significa que teriam de esperar muito mais para serem contemplados na fila da Cohab.

O cabeleireiro João Simplício se encaixa nesse último perfil. "Fiz inscrição na Cohab há uns 2 anos, mas eles dão prioridade a quem tem família e está esperando há mais tempo, como cinco ou dez anos. Aí me ligaram desse departamento para indicar uma construtora que estava erguendo um prédio na região do Parque Dom Pedro, no centro. Vi que estava dentro do orçamento e fechei o negócio", conta.

Atualmente, Simplício mora no mesmo imóvel onde funciona seu salão de beleza, na parte alta da Mooca. Quando se mudar para o novo apartamento, no ano que vem, seu plano é contratar uma podóloga ou manicure para o espaço que será liberado no atual salão.

"Vou ter um espaço maior e investir em serviços que já vejo que têm demanda. Não teria condições de pagar dois aluguéis, então vai ser ótimo quando eu puder me mudar."

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