Idoso derrubado em aeroporto está há 18 meses no hospital

Acidente aconteceu em elevador para cadeirante

O Estado de S.Paulo

26 Julho 2012 | 03h03

Esquecido em avião da TAM no domingo, o escritor e colunista do Estado Marcelo Rubens Paiva trouxe de volta a discussão sobre transporte de cadeirantes em aeroportos. O caso mais grave aconteceu em dezembro de 2010, com consequências drásticas até hoje: o arquiteto Fernando Porto de Vasconcellos, de 73 anos, está há um ano e meio internado após sofrer acidente no ambulift - elevador sobre rodas que ajuda na retirada de cadeirantes de aviões. Foi no Aeroporto de Congonhas.

Vasconcellos sofreu AVC em 2006 e, quatro anos depois, recobrava os movimentos aos poucos, em cadeira de rodas. Na volta de uma viagem a Brasília, onde fazia tratamento de reabilitação, ele e a mulher saíram de avião da Gol no ambulift com uma funcionária da empresa. No caminho ao desembarque, o motorista do ambulift freou bruscamente e a funcionária da Gol caiu sobre Vasconcellos, que tombou na cadeira de rodas e bateu a cabeça.

O arquiteto estava sem cinto. "Minha mãe perguntou à funcionária se ela não ia prender o cinto e ouviu: 'Não precisa, é pertinho'. Pessoas de empresas áreas que lidam com deficientes não sabem a responsabilidade que é", diz a também arquiteta Moira de Castro Vasconcellos, filha de Fernando. Em nota, a Gol disse que só se pronuncia sobre o caso "nos autos do processo".

Moira processa a Gol e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), dona do ambulift. É nesse equipamento de R$ 500 mil que mora o jogo de empurra da responsabilidade do transporte de cadeirantes em aeroportos: o ambulift é da Infraero e quem o opera é empregado ou terceirizado da estatal. Mas, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, a responsabilidade pelo passageiro do check-in ao desembarque é da companhia aérea.

O Ministério Público chegou a abrir inquérito e apontar o motorista do ambulift como responsável - estaria dirigindo em velocidade acima da permitida. A pena seria reparação de danos à vítima, mas, como não era o caso, o motorista saiu ileso. "No fim, ninguém foi punido", diz Moira. No embate, a Gol conseguiu que a Infraero pagasse o hospital onde Vasconcellos está internado até hoje - ele ficou os primeiros 4 meses no Hospital Santa Paula e agora está no Albert Einstein. É a única ajuda que a família recebe.

O arquiteto não fala nem responde a estímulos. Só consegue abrir o olho e mexer parte do lado esquerdo do corpo. Segundo Moira, médicos afirmam que ele sofreu uma lesão grande no cérebro, mas não conseguem dimensionar o dano. Ultimamente, vem tendo convulsões. "É duro porque meu pai está lá, mas não está. Não ouço a voz dele há um ano e meio. Minha mãe (de 70 anos) dorme no hospital todo dia." Moira reivindica que um dos responsáveis - Gol ou Infraero - pague outras despesas, como estacionamento e alimentação. "Todo mês mandam perito da seguradora fazer pressão para mandarem meu pai para casa. Pedimos que eles paguem cuidador e dizem que não é necessário. A parte humana é zero, só pensam em economizar." / NATALY COSTA

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