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Ibirapuera lidera check-ins na web

Edison Veiga - O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2014 | 02h 02

Veja dez curiosidades sobre o cartão-postal mais amado de SP

O parque mais famoso e querido de São Paulo completa 60 anos na próxima quinta. Para comemorar a data, separamos dez curiosidades sobre o Ibirapuera.

1. Sessentão, mas não sai de moda. No ano passado, o parque foi eleito o melhor da América do Sul entre os mais de 260 milhões de usuários do site de viagens TripAdvisor. E o Ibirapuera foi o local no Brasil que mais recebeu "check-ins" de usuários do Facebook, tanto em 2013 quanto em 2012.

2. Sete meses depois. Maior legado dos festejos em comemoração aos 400 anos da fundação de São Paulo, o parque só foi entregue em 21 de agosto de 1954, sete meses depois de a cidade completar os quatro séculos de existência. Sua construção foi comandada pela Comissão do IV Centenário, presidida pelo industrial Ciccillo Matarazzo. Há quem defenda o "atraso" dizendo que as comemorações duraram o ano todo.

3. Não é o maior parque de São Paulo - mas é o mais frequentado. O 1,5 milhão de metros quadrados do nosso principal parque são superados em 50 vezes pelos 79 milhões de metros quadrados do Parque Estadual da Cantareira. Entre os municipais, o Anhanguera é o maior, com 9 milhões de metros quadrados. Apesar de perder em tamanho, o Ibirapuera é o campeão de visitação: chega a receber 150 mil pessoas por fim de semana.

4. Poderia ser bem maior. Isso porque as terras devolutas - cedidas pela União à Prefeitura em 1890 -, que dariam origem à área verde, tinham originalmente 43,5 milhões de metros quadrados. Essas terras foram ocupadas por bairros como Vila Nova Conceição e Indianápolis. Em 1926, quando o prefeito Pires do Rio propôs oficialmente a criação de um parque ali, os contornos já estavam próximos dos atuais.

5. Por pouco, o local não virou um aeroporto. Em 1935, a Viação Aérea São Paulo (Vasp, fundada dois anos antes) lançou a ideia de aproveitar o terreno vazio para a construção de um aeroporto. De acordo com atas da Sociedade Amigos da Cidade, as vantagens apresentadas pela companhia seriam de que aquela área constituiria "um campo seguro, próximo e livre de neblina". O projeto não foi adiante. No ano seguinte, a cidade ganharia o Aeroporto de Congonhas.

6. Para a construção do parque, uma favela foi removida. Havia 186 barracos e 204 famílias instalados na região do Ibirapuera em 1952. Seis dos barracos foram transferidos para a Favela do Canindé. As outras famílias foram alocadas em terrenos próprios, cedidos pela Prefeitura.

7. Segunda opção. O arquiteto Oscar Niemeyer só foi escolhido para fazer o projeto do parque porque houve um desentendimento entre a primeira equipe, formada por sete arquitetos, entre eles Rino Levi e Oswaldo Bratke. Em 1951, eles chegaram a fazer estudos e a apresentar um anteprojeto. Mas não houve acordo quanto ao pagamento dos honorários. Foi quando Ciccillo Matarazzo convidou Niemeyer, que acabou montando uma nova equipe - com os arquitetos Zenon Lotufo, Hélio Cavalcanti, Gauss Estelita, Eduardo Kneese de Mello e Carlos Lemos.

8. Burle Marx foi vetado. Ao mesmo tempo, Ciccillo Matarazzo solicitou projetos paisagísticos para o parque a dois profissionais: ao funcionário público Otávio de Teixeira Mendes, chefe da Seção de Parques, Jardins e Arborização da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, e ao arquiteto e paisagista Roberto Burle Marx. A Comissão do IV Centenário acabou preferindo o plano de Teixeira Mendes. "Na verdade, houve uma desavença entre o Oscar (Niemeyer) e o Burle Marx", entrega Carlos Lemos.

9. Ouro no subsolo. Em 1988, operários cavavam o que se tornaria o Complexo Viário Ayrton Senna. Sob o Ibirapuera, a 23 metros de profundidade, retiraram 4 quilos de cascalho roxo. No meio desse material, foram encontrados 4 décimos de grama de ouro. "Ficamos surpresos. A descoberta foi comunicada à Prefeitura, que a tornou pública, na ocasião", recorda-se o engenheiro civil Sidney dos Passos Ramos - que, na época, tinha 36 anos e era um dos que atuavam na obra.

10. Na lona. Era uma manifestação contra o desemprego. Entre 5 de setembro e 15 de novembro de 1983, militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e representantes de movimentos operários de São Paulo ficaram acampados no Ibirapuera. "Pegamos uma lona de circo que estava na sede do Sindicato dos Bancários e montamos ali", recorda-se o médico Eduardo Jorge, um dos participantes do acampamento. Na época, ele era deputado estadual pelo PT - hoje, é candidato do Partido Verde (PV) à Presidência da República.