Hospital do Exército atende 200 no Rio

Segundo capitão, operação não tem prazo para terminar; primeiro caso suspeito de leptospirose foi registrado ontem, em São Gonçalo

Pedro Dantas, do Rio, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 00h00

Cerca de 200 pessoas foram atendidas no primeiro dia de funcionamento dos hospitais de campanha do Exército nos bairros Jardim Catarina e Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O Exército seguiu para a cidade para ajudar as vítimas das enchentes.

"A operação não tem prazo determinado para acabar. Os dois hospitais permanecerão em funcionamento enquanto houver vítimas", disse o capitão Carlos Backer, da Comunicação Social do Exército. A maioria dos atendimentos foi de casos relacionados a gripes, doenças de pele e hipertensão arterial. Uma mulher com suspeita de leptospirose foi atendida e tratada pelos militares. Um bebê de 34 dias foi o único caso de remoção para um hospital público. Ele apresentava sinusite e inflamação nos ouvidos.

"Minhas duas filhas apresentaram febre e diarreia, após o contato com as águas da chuva. Tivemos de sair de casa com água pelo pescoço para ficarmos abrigadas na casa da minha irmã", disse Carla Cajueiro da Silva, de 38 anos. As filhas dela foram atendidas no Hospital de Campanha montado ao lado do Ciep Túlio Rodrigues Perlingeiro, onde estão alojados 500 desabrigados.

"Não estamos aceitando mais doações de roupas. A partir de amanhã, o Exército também organizará a distribuição das doações", disse a voluntária do centro de desabrigados do Complexo do Salgueiro, Valéria Loback. A estrutura montada pelo Exército dispõe de uma enfermaria com 16 leitos climatizados, quatro clínicos gerais, um pediatra, enfermeiros e 60 homens no apoio da operação.

Bumba. No Morro do Bumba, em Niterói, os bombeiros já exploraram 20% da área onde ocorreu o deslizamento. Desde a noite da tragédia, na quarta-feira, 36 mortos foram retirados dos escombros. Uma vítima morreu no hospital após ser resgatada. Ontem, pelo menos até as 20 horas, nenhum corpo havia sido encontrado.

"Perdi muitos amigos. Tenho certeza de que muitas pessoas ainda estão soterradas aqui", disse Jaciara de Almeida Ferreira Lopes, de44 anos, ex-moradora da favela, construída sobre um lixão.

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