Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Homicídios caem no Estado de SP e na capital em junho

Redução desse crime aconteceu tanto na capital quanto no interior. Governo fraciona divulgação dos dados; sociólogo critica ação

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

24 Julho 2015 | 11h24

Atualizado às 22h42

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo registrou queda de 11,62% no índice de homicídios dolosos no primeiro semestre de 2015, segundo apontam dados parcialmente divulgados pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). Considerando apenas junho, a redução é ainda maior: 18,38%, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Os assassinatos também caíram na capital, Grande São Paulo e interior.

O governo comemora ter registrado menos de 2 mil homicídios no Estado ao longo do primeiro semestre. Ao todo, foram 1.931 ocorrências, ante 2.185 em 2014. Desse total, 262 aconteceram em junho de 2015, ante 321 casos no ano anterior. Com a redução, a taxa de homicídios chegou à marca de 9,38 casos por 100 mil habitantes, a menor desde 1999.

A queda nos assassinatos foi antecipada nesta sexta-feira, 24, pelo governador e pelo secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. Os índices de criminalidade são sempre informados no mesmo dia, mas a pasta decidiu fracionar a divulgação com dados considerados positivos. Um dia antes, os roubos de carga, que também caíram, já haviam sido informados. Os demais índices, como roubos em geral, furtos e latrocínios, só serão expostos na segunda-feira.

O sociólogo e especialista em segurança pública Ignacio Cano considera positiva a redução de assassinatos em São Paulo, mas faz ressalvas quanto à metodologia de divulgação dos índices. “Sem dúvida, o patamar é mais favorável hoje do que há 15 anos - e também quando comparado com outros Estados. Quem sabe, se continuar reduzindo, São Paulo não entra em certa normalidade”, disse.

Cano, no entanto, acredita que a divulgação fracionada dos dados é uma estratégia política. “Talvez seja uma tentativa de maximizar o impacto. Eu duvido que, se os números fossem negativos, seriam informados em dias diferentes: o desgaste político seria maior”, afirmou. “O importante é criar rotinas de divulgação, para que ela não esteja sujeita a elementos políticos e a pressões.”

Questionado por que os dados foram divulgados separadamente, o secretário Alexandre de Moraes respondeu que todos os índices serão informados. “Como houve, nos casos de homicídios neste semestre, a quebra de todos os recordes, é importante que a população saiba o resultado”, disse.

Prisões. Para o governador Geraldo Alckmin, a redução dos assassinatos está associada a diversos fatores: interação entre as polícias e a comunidade, investigação de crimes, combate ao tráfico de drogas e, nas palavras do governador, uma “cultura de prisão”. “Há casos de criminosos que fazem quatro, seis, oito homicídios ou latrocínios. A prisão desses criminosos foi extremamente importante”, disse.

Segundo Alckmin, a polícia esclareceu 89% das chacinas e 54% dos homicídios praticados no primeiro semestre. “É bom lembrar que nos Estados Unidos, que é o melhor sistema, é de 62% (o índice) de esclarecimento”, afirmou. O governador, no entanto, não disse se o índice paulista envolvia só os casos de autoria desconhecida - crimes que dependem de investigação - ou se nele estavam incluídas as prisões em flagrante.

Para Alckmin, o combate à venda ilícita de entorpecentes também teria impacto direto na queda dos assassinatos. “Varia entre 30% e 40% o número de homicídios relacionados ao tráfico de drogas.”

Regiões. A capital reduziu em 5,36% os homicídios no primeiro semestre de 2015. Ao todo, 530 casos foram registrados, ante 560 em 2014. Na comparação entre os meses de junho, os assassinatos caíram de 93 casos para 73, uma redução de 21,5%.

A Grande São Paulo, exceto capital, teve queda de 19,82% nos assassinatos. Foram 445 casos neste ano e 555 em 2014. Na comparação de junho, a redução foi de 34,25%. Já no interior a queda foi de 9,03% no mês e de 10,65% no semestre.

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