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Homem mata ex e seu companheiro e fere 3 em batizado em Guarulhos

Marina Azaredo, de O Estado de S. Paulo - Atualizado às 20h55

16 Fevereiro 2014 | 13h 36

Acusado, foragido, não havia sido convidado para a cerimônia de batismo do filho de seis anos

Um homem e uma mulher morreram e três pessoas ficaram feridas no domingo, 16, após serem baleadas durante um batizado em uma igreja católica no bairro Pimentas, em Guarulhos. O autor dos disparos foi o ex-marido da mulher, que acompanhava a missa de batismo. Até as 19h de domingo, ele estava foragido.

O gráfico Pedro Félix dos Santos, de 45 anos, não havia sido convidado para a cerimônia em que seu filho de seis anos com a auxiliar de expedição Viviane Rosa dos Santos, de 34, seria batizado, mas foi até a igreja mesmo assim. Após o batismo do menino, ele levantou-se, caminhou em direção ao altar e disparou com um revólver calibre 38 contra a ex-mulher e seu novo companheiro, o motorista Rosildo Donizeti Pereira, com quem ela se relacionava há seis meses. Os dois foram atingidos na cabeça. Antes de sair da igreja, Pedro efetuou mais disparos e atingiu outras três pessoas, que ficaram feridas sem gravidade.

Rosildo chegou a ser levado para o Hospital Santa Marcelina, mas não resistiu aos ferimentos. Os outros três feridos foram atendidas pelo Serviço de Atendimendo Médico de Urgência (Samu) e encaminhadas ao Pronto Socorro dos Pimentas, em Guarulhos, mas não apresentavam risco de morte.

"Viviane e Pedro tiveram um relacionamento de dez anos que acabou em 2011, mas os dois últimos anos da relação já estavam conflagrados", afirmou o delegado Joáo Blase, do 4 Distrito Policial de Guarulhos, após ouvir as primeiras testemunhas do caso. "Certamente foi um crime premeditado."

Na mesma delegacia, já havia pelo menos três boletins de ocorrência envolvendo o casal, que teve dois filhos. Em 2005, Viviane fez uma queixa contra o ex-marido na delegacia por lesão corporal e ameaça. Em 2011, foi o gráfico quem a acusou de ameaça. Em 2012, Viviane relatou desobediência à Lei Maria da Penha, afirmando que o ex-marido descumpriu ordem de se manter afastado dela. No último boletim de ocorrência, Viviane relatava que Pedro estava bebendo e agindo com agressividade.

De acordo com a Polícia Civil, estão sendo feitas buscas, mas ainda não há pistas sobre o paradeiro de Pedro. "Enviamos diligências para diversos endereços, mas ainda não o encontramos", informou o delegado responsável pelo caso.

Na Igreja São Francisco de Assis, todas as atividades foram suspensas até segunda ordem. "De repente escutei um estrondo, em seguida mais três e apareceu uma fumaça. Havia 18 crianças sendo batizadas e 150 pessoas na missa. Dispensamos todos assim que percebemos o que havia acontecido", relatou o padre Daniel Reichter.

Em frente à igreja, o clima era de consternação na tarde de domingo.

"Quando escutei o primeiro disparo, nunca imaginei que pudesse ser um tiro. Mas aí começou uma correia, eu fui empurrado e o pessoal começou a se jogar no chão. Eu só vi um homem pulando os bancos da igreja e fugindo em um carro", disse o fotógrafo Geraldo de Almeida, que fotograva a missa.

A comerciante Cleide Regina Bessa estava na igreja para batizar a filha, mas o crime aconteceu antes de chegar a sua vez na ordem dos batismos. "A primeira coisa que pensei é que era um bomba, só depois percebi que eram tiros. Então todo mundo começou a correr para o altar e depois saímos pela lateral da igreja. Parecia filme de terror, essas coisas que acontecem nos Estados Unidos. Não vou mais batizar a minha filha aqui", afirmou.

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