Holambra registra primeiro caso de latrocínio em 17 anos

Jovem de 20 anos foi assassinado com três tiros e moto em que estava foi levada pelos dois criminosos

Tatiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2009 | 21h38

A Polícia Civil de Holambra, a 125 quilômetros de São Paulo, investiga o primeiro caso de latrocínio - roubo seguido de morte - ocorrido desde que o município foi emancipado por meio de plebiscito, em 27 de outubro de 1991. O caso chocou a cidade de 10 mil habitantes, localizada a 35 quilômetros de Campinas.   O auxiliar de produção Leandro Carvalho de Alcântara, de 20 anos, foi morto na noite do último sábado, na frente da casa de um amigo, no centro da cidade. O homem que acertou três tiros no rapaz levou a moto na qual a vítima estava, uma Honda CG 150 ESD. O suspeito agiu com a ajuda de um parceiro, que dirigia outra motocicleta. Ninguém foi preso até o fim da tarde desta terça-feira, 13.   De acordo com o delegado Marcelo Gradinetti Adelino, a polícia suspeita que os homens que atacaram Alcântara sejam de algum município vizinho. "A cidade não tem porte para esse tipo de crime. Claro que não descartamos nenhuma possibilidade até o término das investigações, mas a principal linha é de que sejam pessoas de alguma cidade vizinha, como Jaguariúna, Santo Antônio de Posse, Cosmópolis e Artur Nogueira", disse. "Holambra não é um principado, mas é uma cidade muito tranquila", argumentou.   O único homicídio registrado em Holambra desde sua emancipação ocorreu em 2002. Segundo dados da Polícia Civil, dois roubos foram registrados em 2008. "Isso levando em conta que a cidade recebe cerca de 300 mil visitantes por ano", afirmou Adelino. Os registros mais comuns na delegacia são de acidentes de carro e estelionato, segundo informou o delegado. "Somos uma ilha. Quer dizer, éramos. Vamos ter de repensar a estratégia de policiamento com a prefeitura e Polícia Militar", disse o delegado.   Aproximadamente 300 pessoas compareceram ao enterro de Alcântara, no fim da tarde de domingo, no Cemitério Municipal de Holambra. "O pai está desesperado. A mãe, arrasada. Eu, à base de calmantes. Nunca tinha visto nada igual", afirmou a avó paterna da vítima, Zulmira Alves Jardim Alcântara. No sábado, antes de sair para ver os amigos, o neto esteve com a avó.   "Ele sempre foi muito educado e atencioso. No sábado, se ofereceu para me levar embora da casa dele, eu disse que não precisava. Antes de sair ele me disse que estava se preparando para entrar numa faculdade, porque queria ser alguém na vida. Minutos depois, estava morto." O pai da vítima, Orlando Alves de Alcântara, passou a terça-feira em Jaguariúna e a mãe do garoto, Neusa Maria de Carvalho Alcântara, na casa de uma irmã, segundo informou Zulmira. "Eles estão revoltados."   O crime ocorreu por volta das 21h40. Alcântara estava na Praça dos Coqueiros, com um grupo de amigos, quando uma das cordas do violão de um amigo estourou. Os dois foram até a casa do amigo, com a moto emprestada de um outro colega que estava na praça. Alcântara não entrou na casa. Segundo informou o investigador Waldir Silva, uma testemunha disse ter visto dois homens em uma moto seguir a motocicleta em que estavam os dois colegas.

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