Helicóptero que já tinha feito pouso forçado em 2010 cai e mata 2 na Lapa

Aeronave que carregava dois pilotos atingiu galpão ao lado de linha do trem; é o quinto acidente da empresa Go Air em 18 meses

JULIANA DEODORO, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2012 | 03h07

Um helicóptero da empresa de instrução de voo Go Air caiu ontem na Lapa, zona oeste de São Paulo, matando duas pessoas: o instrutor de voo Mailson Rocha Lopes, de 23 anos, e o aluno e também piloto Denis Frank Thomazi, de 32. O mesmo helicóptero - modelo Robinson R22, prefixo PT HOL - já havia feito pouso forçado, ao "tombar" no Aeroporto Campo de Marte, na zona norte, em novembro de 2010.

O acidente foi às 10h30 de ontem. A aeronave atingiu o telhado de um galpão, atravessou o teto e despencou mais de oito metros. Os dois pilotos sofreram politraumatismos. Bombeiros ainda tentaram reanimá-los, mas eles não resistiram.

Os pilotos saíram da sede da empresa no Campo de Marte às 9h19 e faziam voo de instrução para mudança de patente. Segundo o boletim de ocorrência, Mailson Lopes era o instrutor e Denis Thomazi, o aluno. O helicóptero tinha dois comandos. Por isso, segundo a polícia, ainda não é possível definir quem o operava no momento do acidente.

Segundo a Go Air, a aeronave retornava ao Campo de Marte quando perdeu contato com a torre de controle às 10h20. A empresa diz que o voo de instrução deveria durar apenas uma hora e havia combustível suficiente para duas horas de operação.

O galpão atingido pelo helicóptero fica a poucos metros da Estação Água Branca da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Quando a aeronave caiu, segundo o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, José Luiz Borges, havia cerca de 20 funcionários no local, mas ninguém ficou ferido.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), empresa, aeronave e pilotos tinham todas as licenças e certificados válidos.

Testemunhas. O empresário Sérgio Antônio de Souza, de 47 anos, vizinho do galpão, conta que ouviu o barulho do helicóptero falhando e viu a queda. "Parecia que ele procurava um lugar para amortecer", disse.

A casa da doméstica Edjane Santos, de 47, fica do lado do galpão atingido. Ela diz que ouviu um estrondo grande e a construção tremeu. "Achei que um carro tinha batido no poste. Poderia ter caído na minha casa."

Já o caminhoneiro Cristiano Pires do Prado, de 32, conta que viu o mesmo helicóptero - identificado na lateral como aeronave de instrução - pousando sobre uma construção abandonada perto do Rodoanel, por volta das 09h40. "Tenho certeza de que era o mesmo helicóptero: branco, azul e com listras amarelas."

Em nota, a Go Air afirmou que está prestando apoio aos familiares das vítimas e vai acompanhar a investigação, oferecendo todas as informações necessárias. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar as causas do acidente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.