1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Haddad propõe Zona Azul mais cara em área nobre

- Atualizado: 27 Março 2016 | 03h 00

Motorista deve pagar mais para estacionar em regiões com maior procura, como centro e Jardins; reajuste atingiria 15 mil vagas

Estacionar o carro em ruas com Zona Azul na área central da cidade, região da Avenida Paulista e nos bairros de Pinheiros, Jardins, Itaim-Bibi e Brooklin pode ficar mais caro ainda neste ano. Prevista no Plano Municipal de Mobilidade, com metas para até 2030, a chamada tarifa regional vai seguir a regra da oferta e da procura, elevando o preço em locais com muita demanda. A expectativa é que o reajuste atinja mais de 15 mil vagas, ou 40% do total.

O novo sistema deve compor a segunda fase do processo de implementação da Zona Azul digital, lançada no início do mês pela gestão Fernando Haddad (PT), depois de 20 anos de promessas de seguidas administrações. Segundo o assessor especial da Secretaria dos Transportes, Josias Leche, após concluir a informatização do estacionamento público rotativo, o Município vai estabelecer diferentes taxas, de acordo com a região. Hoje, o preço é padronizado: R$ 5 por hora.

Aumento. Tarifa diferenciada pode ser classificada como pedágio urbano, diz especialista

Aumento. Tarifa diferenciada pode ser classificada como pedágio urbano, diz especialista

O mapa oficial mostra que a capital tem atualmente 38.972 vagas. Vias do centro e da zona oeste são as que concentram o maior número de locais para estacionar, com destaque, justamente, para os bairros de Pinheiros, Itaim e Jardins. Segundo a Prefeitura, só a Rua Estados Unidos soma 975 vagas.

Para quem trabalha na rua, o aumento da Zona Azul pode representar um prejuízo. “A gente mal consegue pagar o preço oficial e a Prefeitura quer aumentar? É só parar o carro na rua para vir vendedor oferecer a folha por R$ 7 ou R$ 8. Se o preço subir, tudo sobe junto”, reclama o comerciante Carlos Alberto Rodrigues dos Santos, de 29 anos.

Morador de Santo André, na região do ABC, Santos vem à capital quase todos os dias para buscar mercadoria no Mercado Municipal. As vagas dentro e fora do estacionamento são disputadas pelos motoristas. Quem não consegue encontrar uma apela para os valets, que estão entre os mais caros da cidade. Por lá, a primeira hora custa R$ 25 e a segunda, R$ 17.

Segundo o engenheiro e mestre em transportes Creso Peixoto, a taxa diferenciada de Zona Azul pode ser classificada como uma espécie de pedágio urbano. “Pagar mais por estacionar em zona de maior procura é o mesmo que pagar por circular em horário de pico”, afirma o professor de Transportes da Fundação Educacional Inaciana (FEI).

Rodízio. Em paralelo, a Prefeitura quer reduzir o número total de vagas disponíveis nas ruas e, daqui a dois anos, revisar as regras do rodízio de veículos. Entre as possibilidades estudadas pela gestão Fernando Haddad (PT) estão a ampliação do perímetro, do número de placas afetadas por dia e do horário vetado para circulação dos veículos com restrição. Isso se Haddad for reeleito ou mesmo se o próximo prefeito aceitar cumprir o plano, que não tem caráter legal.

Segundo Leche, a intenção da Prefeitura é priorizar o estacionamento rotativo da cidade para carga e descarga, além de abrir espaço para o transporte público. O Plano Municipal de Mobilidade traça metas para todos os modais, priorizando ônibus e bicicletas (veja abaixo).

“Quando falamos em redução do número de vagas nos subcentros estamos falando das avenidas importantes dos bairros”, explica o assessor. Ao retirar o espaço dedicado ao estacionamento dos carros, a Prefeitura pode ampliar a quantidade de ciclovias, faixas e corredores de ônibus.

O espaço reservado para os pedestres também foi alvo de estudos, diz Leche. “Essa foi uma das grandes demandas da população, a manutenção das calçadas. O plano projeta reformar 250 mil m² por ano.”

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em São PauloX