Reprodução/Diário Oficial do Município de São Paulo
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Haddad nomeia amigos de seu filho para cargos de confiança

Recém-formados em Direito receberão salário de R$ 3,3 mil em cargos comissionados; Prefeitura diz que amizade não influenciou

Luiz Fernando Toledo e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2015 | 11h03

Atualizada às 21h08

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) nomeou na terça-feira, 13, três amigos do filho, Frederico, para trabalhar em cargos comissionados da Prefeitura. Recém-formados em Direito, eles vão receber salário de R$ 3,3 mil como assessores técnicos. A gestão Haddad defende que o trio tem qualificação técnica.

A nomeação foi informada nesta quarta pelo jornal Folha de S.Paulo. Alexandre Rebêlo Ferreira e André Correia Tredezini, dois dos nomeados, eram colegas de Frederico Haddad, de 22 anos, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Por uma chapa considerada mais moderada de direita ou esquerda moderada, Ferreira e Tredezini presidiram o Centro Acadêmico 11 de Agosto, também comandado pelo próprio prefeito em 1985. Laio Correia Morais, outro amigo de Frederico, se formou em Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e também foi do movimento estudantil. 
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Ferreira participou dos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus na capital, em junho de 2013. Ele escreveu um artigo na imprensa sobre os atos, mas as críticas eram mais direcionadas à Polícia Militar, responsabilidade do governo estadual, do que à Prefeitura. 

No dia 6, o nome de Frederico já havia surgido na mídia, depois que ele foi à aula pública do Movimento Passe Livre (MPL), que organiza novas manifestações contra o reajuste da tarifa. Integrante do PT, o jovem diz que não vai se candidatar.

A Prefeitura sustentou, em nota, que os três são advogados “de renomadas universidades, com experiência profissional de estágio em escritórios de advocacia e atuação em entidades representativas estudantis”.  Disse ainda que Haddad mantém contato político com eles desde a campanha, mas que a amizade não influenciou.

O trio vai atuar na agenda de cultura, direitos humanos e igualdade racial. Outros jovens devem ir para as coordenações de juventude e subprefeituras. 

Currículos. Os três foram aprovados no Exame da Ordem dos Advogados, mas ainda não têm o registro profissional. Morais é o único deles que consta na lista de filiados do PT paulista.

Nas redes sociais, Tredezini e Morais fazem constantes postagens em apoio ao prefeito. Morais declarou, na internet, que é “PT de ponta a ponta” e escreveu textos em defesa do ex-ministro José Dirceu (PT) sobre o mensalão. Tredezini publicou imagens suas de panfletagem para o PT e críticas ao governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ele ainda aparece em vídeo de campanha da presidente Dilma Rousseff, após fazer doação simbólica de R$ 13. 

Segundo pessoas próximas ao trio ouvidas pelo Estado, eles tiveram liderança forte no movimento estudantil e militância política crescente. Ao Estado, Morais confirmou que é amigo de Frederico, mas disse que as explicações cabem à Prefeitura. Tredezini afirmou que não se manifestaria e Ferreira não foi encontrado. 

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