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Haddad inicia obra de 2 pontes sobre o Rio Pinheiros

Pacote viário ajudará a desafogar o trânsito na região do Morumbi; ciclistas terão via restrita com acesso ao Parque Burle Marx

No Panamby. Os novos empreendimentos vão pagar parte da revitalização dessa área
No Panamby. Os novos empreendimentos vão pagar parte da revitalização dessa área

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) ordenou o início das obras de um pacote viário que visa a reduzir parte dos gargalos no trânsito da região do Morumbi, zona sul da capital. Com contrato assinado há mais de dois anos, o projeto prevê duas novas pontes sobre o Rio Pinheiros e a execução do prolongamento da Avenida Doutor Chucri Zaidan em 3,2 quilômetros. Somando os custos com desapropriações, o pacote é avaliado em quase R$ 1 bilhão.

A construção das pontes já começou. Cada uma terá sentido único e oferecerá novos retornos e acessos ao motorista que trafega pela Marginal do Pinheiros. A Ponte Laguna ligará o bairro do Brooklin à Rua Laguna, do outro lado da Marginal do Pinheiros. Com 365 metros de extensão, terá três faixas de rolamento e custo aproximado de R$ 150 milhões.

Além das pistas para veículos, a Ponte Laguna terá uma ciclovia com acesso direto ao Parque Burle Marx. A faixa exclusiva para bicicletas será posicionada à direita – e se interligará também com a ciclovia da CPTM. Uma passarela para pedestres completa o projeto.

Portal do Morumbi. A menos de dois quilômetros dali, a Ponte Itapaiuna será alternativa para os moradores na região do Portal do Morumbi, por exemplo, que precisam cruzar o rio no sentido Santo Amaro ou só retornar em direção ao centro. A obra também terá três faixas de rolamento, em 340 metros de extensão.

A nova ponte é uma exigência da Prefeitura para compensar os impactos no trânsito provocados pela construção de dois empreendimentos da Odebrecht na região: Parque da Cidade e Praça São Paulo. De característica multiúso, os dois conjuntos oferecerão torres corporativas, residenciais, hotel, restaurantes e shopping. A construtora vai arcar com todos os custos, também estimados em R$ 150 milhões.

Ambas servirão, segundo a Prefeitura, para ajudar a desafogar as Pontes João Dias e Morumbi, sempre travadas em horário de pico. A previsão é a de que elas fiquem prontas em dezembro de 2015. De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Roberto Garibe, as pontes oferecerão novas opções de trajeto a quem precisa trafegar pela região.

“Isso em uma zona de grande expansão imobiliária. Quando se soma o impacto de todos os prédios novos, passa a ser necessária uma obra de compensação”, diz Garibe. “Com as duas pontes em operação, as alternativas de retorno também serão ampliadas para quem pretende somente passar para o outro lado do rio.”

O plano faz parte da Operação Urbana Água Espraiada, lei aprovada em 2001, pela então prefeita Marta Suplicy (PT), para liberar a venda de títulos imobiliários como forma de arrecadar recursos para revitalizar a região – a área afetada vai do Morumbi ao Jabaquara. É esta verba, carimbada, que será usada para pagar a maior parte dos custos. O pacote ainda inclui o prolongamento, via túnel, da Avenida Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) até a Rodovia dos Imigrantes, a revitalização do Parque do Chuvisco e a entrega de 8 mil unidades habitacionais.

Chucri Zaidan. O prolongamento da Avenida Doutor Chucri Zaidan é a obra mais complexa do pacote – com exceção do túnel. A via ganhará 3,2 quilômetros a mais, chegando até a Avenida João Dias. Deste total, 2,6 quilômetros serão de alargamento em nível e outros 880 metros, via túnel.

Hoje, o ponto final da avenida fica perto do Shopping Morumbi, no cruzamento da Rua Joerg Bruder. É lá que a obra deve começar, segundo o secretário Garibe. Serão quatro faixas de rolamento extras em cada sentido. No projeto de expansão, 880 metros de novas pistas serão subterrâneas, para carros. Na superfície, a prioridade será dos ônibus, que terão corredor por todo o prolongamento no canteiro central da via.

Mas, diferentemente das pontes, a extensão da Chucri Zaidan não depende apenas de recurso no caixa, mas da desapropriação de 264 imóveis. Desses, 21 já estão sob a posse da Prefeitura e os outros processos expropriatórios correm na Justiça. “Assim que estivermos com a posse dos imóveis localizados na boca de entrada e de saída do túnel já poderemos começar também essa obra, que é muito importante, pois servirá como uma paralela à Marginal do Pinheiros nessa região”, afirma o secretário.

Moradias populares. O plano prevê ainda a entrega de 8 mil unidades habitacionais - 6 mil com investimento municipal e outras 2 mil com recursos estaduais. Dessa lista, 428 moradias estão em construção, divididas em três prédios, e devem ser entregues até o fim do ano. As demais, segundo a Prefeitura, dependem de parcerias com o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, e de desapropriações. A previsão é a de que 242 imóveis precisem ser desapropriados para a conclusão do pacote.

A construção das moradias populares “passou na frente” das obras viárias, como o túnel da Avenida Jornalista Roberto Marinho, segundo o secretário de Infraestrutura Urbana e Obras, Roberto Garibe. Ainda conforme ele, o prefeito Fernando Haddad (PT) determinou que a função social do projeto se tornasse prioridade. O custo previsto para todas as intervenções é de aproximadamente R$ 3,4 bilhões.