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Haddad dobrará nº de GCMs no Ibirapuera após estupro de jovens

No fim de semana, 'rolezinho' reuniu 12 mil pessoas no parque

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Juliana Diógenes e Felipe Resk,
O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2016 | 16h58
Atualizado 21 Janeiro 2016 | 18h23

SÃO PAULO - Após denúncia de estupro de duas jovens, que teriam ocorrido no último domingo, 17, durante um “rolezinho” no Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou que vai dobrar o efetivo de guardas civis metropolitanos aos finais de semana. Mesmo com o reforço, Haddad destacou que a GCM tem “limites de atuação”.

“A Guarda Civil faz a segurança patrimonial do parque. Quando acontece um evento em que estavam previstas duas mil pessoas e vão 12 mil, a guarda civil estava com contingente para duas mil”, disse o prefeito.

Os casos de estupro envolvem uma menina de 16 anos e outra, de 18. Os casos aconteceram nos arredores da marquise do parque, onde foi realizado um “rolezinho”, evento não autorizado pela Prefeitura de São Paulo e marcado por adolescentes por meio das redes sociais. As denúncias serão investigados pelo 36.º Distrito Policial (Vila Mariana).

No dia do evento, o efetivo da GCM era formado por 59 agentes distribuídos pelo Ibirapuera. Além dos dois estupros, também houve um arrastão que terminou com pelo menos dez registros de roubos - oito deles na parte interna e dois na área externa do parque. Segundo informações da Polícia Civil, a maior parte dos ataques foi praticada por grupos de quatro a cinco criminosos, que agrediam as vítimas e depois levavam seus pertences. "Não é possível dizer que eles vieram para o rolezinho, até porque estaríamos estigmatizando, e sim que o evento reuniu muitas pessoas, naturalmente do bem e do mal, o que cria um ambiente favorável a isso", afirmou o delegado Márcio de Castro Nilsson, titular do 36º Distrito Policial (Vila Mariana).

Segundo Haddad, quando a Guarda fez “o que lhe cabia” ao abordar jovens que consumiam álcool, houve reação à aproximação. “Isso vai implicar em dois movimentos. O primeiro, é reforçar o contingente. Mas não é o suficiente. Por mais que eu reforce o contingente, o número de pessoas sempre será muito superior a isso”.

O segundo movimento, explicou Haddad, foi chamar os organizadores “à responsabilidade” e solicitar que seja feita comunicação prévia do evento à Prefeitura.

“Não é só pelo número de guardas que você vai resolver o problema. Jamais será suficiente (o reforço na segurança) se não houver uma organização prévia com aqueles que quiserem utilizar o parque. Tem que ter um preparo antes, senão você perde um controle”, afirmou.

O evento, chamado de “Rolezinho - Festa do Beijo”, reuniu 12 mil pessoas, segundo a GCM. Um dos responsáveis pela realização do encontro, o “youtuber” Evandro Farias, de 22 anos, afirmou que as festas têm ocorrido há pelo menos três meses, mas nunca haviam reunido tantas pessoas de uma só vez. “Sempre foi organizado, mas tinha no máximo 2 mil pessoas. Dessa vez, não teve como controlar”, disse. O jovem relatou ainda ter visto um arrastão no fim do encontro, o que não foi confirmado pela PM.

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