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Haddad admite pela primeira vez abrir mão de corredor de ônibus

Diego Zanchetta - O Estado de S. Paulo

06 Março 2014 | 22h 16

Pressão do comércio na região da Avenida Nossa Senhora de Sabará pode fazer o governo enviar substitutivo à Câmara

Sob pressão de comerciantes e de vereadores das regiões do Campo Grande e de Santo Amaro, na zona sul, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) sinalizou nesta quinta-feira, 6, a possibilidade de desistir de um dos corredores de ônibus planejados para São Paulo até o fim de 2016.

O secretário Fernando de Mello Franco, de Desenvolvimento Urbano, anunciou, em audiência na Câmara Municipal, que a Avenida Nossa Senhora de Sabará, onde estão previstas desapropriações de 486 imóveis (a maior parte de lojas e pequenos comércios), poderá não receber o corredor que consta do projeto original da Prefeitura para a construção de 150 quilômetros de faixas exclusivas.

O texto que autoriza o alargamento de 39 avenidas e 27 ruas da capital paulista deve ser votado com alterações, em primeira discussão, na terça-feira à noite. "Vamos analisar se os corredores previstos para a Cupecê e a Miguel Yunes podem suportar a demanda da região. Dessa forma a Sabará ficaria com a faixa exclusiva já existente", admitiu Mello Franco. A exclusão seria feita por meio de um projeto substitutivo ou emenda, conforme o líder de governo, vereador Arselino Tatto (PT).

Mas o secretário de Desenvolvimento Urbano disse que as desapropriações serão inevitáveis durante a construção dos corredores. Ao todo devem ser removidos 7.000 imóveis. Entre as vias que serão alargadas estão as Avenidas 23 de Maio, Radial Leste e Interlagos. "É um transtorno (desapropriações) que de fato acontecerá", afirmou Mello Franco. "Hoje também temos de fazer 172 creches e teremos de desapropriar o mesmo número de terrenos. Mas o que temos de dar prioridade é ao interesse coletivo de centenas de famílias que precisam das creches, e não só à demanda de 172 donos", acrescentou.

O secretário falou sobre a possibilidade das mudanças após pressão de comerciantes da Avenida Nossa Senhora de Sabará, que lotaram o plenário do Legislativo. Vereadores da base como Goulart (PSD) e Ricardo Nunes e até o líder do PT Alfredinho defenderam mudanças no projeto original. "Sou da base do prefeito, mas do jeito que está, com as desapropriações da Sabará, vou votar contra", disparou Goulart. Nunes também pediu a exclusão do corredor. "Temos a possibilidade de a Avenida Miguel Yunes já receber um corredor, sem ser prejudicial ao comércio", disse.

Resistência. Em outras avenidas onde também haverá desapropriações de centenas de estabelecimentos comerciais e residências, como ao longo da Avenida Belmira Marin e da Estrada do M’Boi Mirim, no extremo sul, também já existe resistência de associações de bairros contra as mudanças. Nas próximas semanas outros protestos de entidades contrárias aos corredores de ônibus devem ser realizados na Câmara.