Alex Silva | Estadão Conteúdo
Alex Silva | Estadão Conteúdo

Hackers do bem no combate à corrupção

Vencedores do Hack in Sampa, promovido pela Câmara Municipal, serão conhecidos amanhã

Fabio Leite, Impresso

14 Agosto 2017 | 03h00

Matheus Catossi nunca havia pisado na Câmara Municipal ou navegado pelos sites oficiais da Prefeitura, mas o domínio em programação do hacker de apenas 20 anos trouxe para São Paulo uma nova ferramenta de combate a corrupção. Com o Luppa, aplicativo desenvolvido por Catossi e outros quatro hackers, qualquer pessoa pode descobrir, em poucos cliques, quais compras feitas por órgãos públicos têm indícios de superfaturamento – trabalho que toma horas ou até dias dos auditores da Controladoria (CGM) ou do Tribunal de Contas do Município (TCM).

A plataforma, que usa inteligência artificial para cruzar dados de contratos da Prefeitura com preços de produtos semelhantes ofertados em sites de compras como o Buscapé, é uma das finalistas da terceira maratona de programação promovida pela Câmara, o Hack in Sampa. O vencedor será anunciado amanhã e ganhará prêmio de R$ 10 mil.

O evento ocorreu no início de junho e reuniu cerca de 50 hackers no plenário da Câmara que foram desafiados a propor soluções tecnológicas para ajudar a fiscalizar os gastos públicos e coibir atos de corrupção.

“Foi nosso primeiro contato com o assunto. Sofremos no começo porque não sabíamos exatamente como encontrar o lugar onde estavam as informações. A gente conhecia o problema e definiu a solução, mas não sabia como fazer”, afirma Catossi, que já participou de hackathon (maratona de programação) promovida pela Nasa e pela Ambev.

Os hackers, a maioria com idades entre 20 e 30 anos, acamparam com seus computadores por 36 horas na Câmara, onde tiveram palestras com especialistas em tecnologia da informação e tutoria de auditores da CGM para saber quais eram os principais problemas dos fiscais do dinheiro público.

Naquele sábado, 3 junho, o grupo de Kevin Dantas Shih, de 21 anos, decidiu desenvolver o Suspeitando, ferramenta que acende o sinal de alerta para possíveis casos de corrupção dentro da Prefeitura.

O sistema compara preços de serviços similares contratados pelas secretarias municipais e destaca todos os contratos com valores 20% acima da média, sinalizando a necessidade de investigação. “Mesmo que a gente não consiga vencer, o esforço terá valido a pena se a ferramenta ajudar a economizar dinheiro público. É um ganho para todos nós e uma motivação maior para desenvolver e aperfeiçoar a ferramenta”, diz Shih.

Presente e futuro. Para o vereador José Police Neto (PSD), responsável pela iniciativa no Legislativo, as ferramentas vão auxiliar o governo não apenas a fiscalizar leis que já estão em vigor, como de improbidade administrativa, como também apontar novas necessidades para coibir fraudes e desvios.

“Não dá para fazer lei sem saber se o poder público vai conseguir garantir seu cumprimento. A maratona identificou onde estão os nós que precisam ser desatados para melhorar a fiscalização do dinheiro público. E foi essa garotada que comandou tudo”, diz Police Neto, autor de um projeto que prevê 40 medidas de combate a corrupção.

Quem está de olho na funcionalidade dos apps é o coordenador de Promoção de Integridade da CGM, Thomaz Barbosa da Silva, responsável por ampliar os canais de transparência de dados da Prefeitura. “Esses aplicativos são essenciais no dia a dia da Controladoria. É algo que pode ser inserido em uma rotina da auditoria para sinalizar algo que pode ser irregular e economizar tempo.”

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