Grupo faz evento em praça para mostrar descaso na Barra Funda

O clima na Praça Nicolau de Morais Barros, na Rua do Bosque, na Barra Funda, em nada é bucólico, agradável, relaxante. Há lixo no chão e amontoado em um canto, moradores de rua e dependentes químicos moram nos fundos em tendas improvisadas, a grama mal é cortada.

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2010 | 00h00

Mas há um grupo de moradores e empresários da região que pretende mudar isso. Integrantes do projeto Nossa Barra Funda, eles se dedicam a cobrar o poder público por melhorias no bairro. E, para chamar a atenção aos problemas da praça, promovem um evento hoje no local.

O Festival Comunitário começa às 10 horas. Contará com um torneio de futebol, oficinas de pintura, aulas de dança, shows. Também serão distribuídos comes e bebes, como refrigerantes e pipoca. Tudo gratuitamente.

"Queremos ocupar esse espaço para mostrar à população e ao governo que ele pode e deve ser usado", afirma o educador social Edivaldo Godoy, integrante do movimento e presidente da associação de moradores do bairro. "Ao chamar a atenção para isso e para como o local está degradado, queremos despertar a consciência de políticos e de moradores. Temos de cuidar da praça."

Abandono. Não é de agora o descaso com a Praça Nicolau de Morais Barros. "A Barra Funda é esquecida pelo poder público há muito tempo e só agora, com seu crescimento e revitalização, tem tido atenção", destaca Godoy, que vive na região há 36 anos.

Na praça, por exemplo, chegou a residir uma família de moradores de rua. "Mãe, pai e filhos montaram um barraco de tijolos e madeira na entrada e cobravam R$ 5 de quem queria usufruir do local", conta Godoy. Os invasores só saíram quando a Prefeitura, em parceria com moradores, demoliu a casa improvisada e encaminhou as crianças ao Conselho Tutelar da região.

O movimento Nossa Barra Funda destaca ainda que há outros exemplos de abandono no bairro. "As calçadas estão esburacadas, as ruas são dominadas por mendigos, há muitos roubos, o lixo se espalha pelas vias", reclama a secretária Zilda Casagrande, integrante do projeto e funcionária de uma empresa local que patrocina a iniciativa.

Integrantes do grupo também se queixam da falta de estrutura para combater os frequentes alagamentos. Outro incômodo apontado é o abrigo Boracéia, para moradores de rua. Lá, segundo o Nossa Barra Funda, a situação está tão degradada que existem usuários que passaram a se recusar a dormir no espaço e preferem pernoitar em ruas locais.

Movimento. O Nossa Barra Funda surgiu a partir de uma iniciativa da empresa TGestiona, onde Zilda trabalha. "Funcionários reclamavam do entorno de nossos dois prédios na região", conta a secretária. "Foi então que decidimos começar a investir em ações locais, como mutirões de limpeza."

Logo, a TGestiona se uniu com outros parceiros, como moradores e ONGs, e criou, em 2008, o Nossa Barra Funda. O projeto integra o programa Plataforma dos Centros Urbanos, iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Desde então, a empreitada promoveu eventos para despertar a atenção do poder público e dos moradores para situações de degradação. "A ideia é mostrar o que está errado e pressionar por melhoras", diz o integrante Godoy. Já foram feitas intervenções artísticas, oficinas, shows. Em torno de 20 articuladores, como empresas, ONGs e moradores, lideram o grupo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.