Grevistas prometem volta ao trabalho, mas exigem reunião com Haddad

Superintendente do Ministério do Trabalho espera que o prefeito possa intermediar reabertura de conversa entre empresas e trabalhadores

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2014 | 19h06

Atualizada às 20h59

SÃO PAULO - O grupo de motoristas e cobradores grevistas prometeu voltar a trabalhar na madrugada desta quinta-feira, 21. A decisão foi anunciada na noite desta quarta após uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e está condicionada a um encontro com o prefeito Fernando Haddad (PT), às 10h desta quinta. A intenção da DRT é que Haddad reabra as negociações da campanha salarial, que se encerrou após uma assembleia da categoria na última segunda-feira à noite, na sede do sindicato da categoria.

Uma comissão formada por representantes dos grevistas, além do sindicato, acompanhará o DRT na reunião pretendida com Haddad. O grupo é formado por trabalhadores das empresas Santa Brígida, Gato Preto e Sambaíba, todas sediadas na zona norte. No entendimento da DRT, elas foram o foco dos movimentos de paralisação. Funcionários de outras duas empresas que pararam nesta quarta-feira, 21, a VIP e a Via Sul, não compareceram à reunião.

Ao mesmo tempo, o sindicato patronal das empresas de ônibus (SP Urbanuss) obteve uma liminar à tarde no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que obriga a circulação de, no mínimo, 75% do total das linhas de ônibus. Se a decisão do dissídio de greve não for cumprida, será aplicada multa ao sindicato dos motoristas e cobradores, com valor a ser fixado "oportunamente", segundo decisão da desembargadora Rilma Aparecida Hemetério. Uma audiência está marcada no TRT no início da tarde desta quinta.

Segundo o superintendente do Ministério do Trabalho, Luiz Antonio Medeiros, as empresas estão intransigentes e não aceitaram negociar com os grevistas. Por isso, agora ele espera que Haddad possa ajudar a abrir a discussão. O prefeito, porém, ainda não havia sido comunicado no início da noite.

"O que havia de controvérsia, nós nos acertamos", afirmou o presidente do sindicato dos motoristas e cobradores, José Valdevan de Jesus Santos, o Noventa. Ele negou que a entidade tenha saído enfraquecida da greve. "Pelo contrário, os trabalhadores estão juntos com o sindicato."

Medeiros criticou a postura das empresas de ônibus nas discussões na DRT. E por isso decidiu contatar Haddad. "Nunca vi empresários tão intransigentes dessa maneira, porque eles se recusaram a reabrir as negociações."

De acordo com o motorista Paulo Martins, representante dos grevistas pela empresa Gato Preto, caso não haja avanço, uma nova paralisação poderá ocorrer. "Se não abrirem as negociações, os trabalhadores que estão lá fora voltam a parar."

Os trabalhadores podem reajuste de no mínimo 13,5% do salário e cota de R$ 22 por dia no vale-refeição. O SP Urbanuss, em contrapartida, ofereceu aumento de 10% e VR de R$ 16,50. Entre outras reivindicações do grupo, está participação nos resultados das empresas de R$ 1,6 mil, ante os R$ 850 oferecidos pelas entidades patronais. O motorista Luiz Pereira Lima, da Sambaíba, disse que os grevistas não são oposição ao sindicato. "Para alguns colegas que não tiveram a oportunidade de ir à assembleia, resolveram pela mobilização."

'Facção'. O advogado do SP Urbanuss Antonio Roberto Pavani Júnior provocou reação dos motoristas e cobradores presentes à reunião ao sugerir em sua fala na coletiva de imprensa após a reunião da DRT que uma "facção" está por trás do movimento grevista. "Não aceitamos esse tipo de movimento. Senão, você não tem mais segurança nenhuma. Você aprova numa assembleia do sindicato e amanhã uma outra facção vem com um outro entendimento."

Pavani Júnior também afirmou que não haverá retaliação das empresas aos funcionários que participaram dos atos nos últimos dias na cidade.

Mais conteúdo sobre:
Greve de ônibus

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.