Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Greve dos metroviários prejudica 3,5 milhões; TJ mantém leilão de linhas

Paralisação convocada por sindicato contra a concessão de ramais começou com 23 das 74 estações fechadas

Bruno Ribeiro, Juliana Diógenes e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 22h44
Atualizado 18 Janeiro 2018 | 22h59

SÃO PAULO - Ao menos 3,5 milhões de pessoas, segundo a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), foram afetadas nesta quinta-feira, 18, pela greve promovida pelos metroviários de São Paulo contra a privatização das Linhas 5-Lilás e 17-Ouro. Das seis linhas da rede, apenas a 4-Amarela, já privatizada, abriu todas as estações. O leilão, marcado para hoje, chegou a ser suspenso pela Justiça, mas acabou liberado à noite por decisão do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Manoel de Queiroz Pereira Calças. 

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Procurando alternativas, os passageiros lotaram os ônibus desde a madrugada. Com rodízio suspenso, os índices de congestionamento ficaram acima da média no pico da manhã. 

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A paralisação começou com 23 das 74 estações da rede fechadas. À tarde, após a primeira decisão judicial, o movimento até perdeu força: às 18 horas, 50 estações já estavam abertas. Ao longo do dia, passageiros que conseguiram embarcar foram orientados a descer antes do destino. “Isso porque disseram que o trem retornaria para a Marechal Deodoro e não iria até Itaquera. Não estava sabendo dessa greve. Não avisam nada”, lamentou, na manhã desta quinta, a ajudante de cozinha Romilda Maria Nascimento, de 36 anos, que tentava chegar ao Tatuapé, onde trabalha, mas teve de desembarcar na Mooca. 

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Em Artur Alvim, também na zona leste paulistana, a operadora de telemarketing Tábata Luana Ribeiro, de 28 anos, precisou esperar três ônibus passarem para conseguir embarcar. Os coletivos já chegavam lotados. No ponto de ônibus do lado de fora da Estação Patriarca, da Linha 3-Vermelha, que estava fechada, ela tinha como destino a Consolação, na área central. Teria de pegar dois ônibus até a empresa. O relógio marcava 10h30, mas ela deveria estar no trabalho desde as 9 horas. 

“Vou continuar tentando. Tenho até 17 horas para chegar ao trabalho, não é? Acho que vou acabar chegando lá pelas 13 horas.” A estimativa dela era alta porque Tábata já sabia do engarrafamento naquele horário.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, às 11h30, 99 km de vias congestionadas - a média, para os meses de janeiro, naquele horário, é de 73,8 km.

Esperando pegar um bom movimento no seu Uber, o motorista Fabio Cesar Severiano, de 38 anos, saiu de casa, no Itaim Paulista, zona leste, às 5 horas. Logo, pegou uma corrida até o Butantã, zona oeste, de um passageiro que preferiu não se arriscar com o funcionamento parcial do Metrô. Às 10 horas, já havia pegado outros oito passageiros antes de dirigir com a reportagem do Estado entre a Estação Marechal Deodoro e o Jabaquara. Só lamentou que o trânsito, acumulado, dificultou o trabalho.

“Tem colega meu que ficou uma hora preso na Marginal do Tietê e mais uma preso em outra avenida. O movimento está bom, mas estamos fazendo uma quantidade de corridas abaixo do possível por causa da lentidão”, disse.

A Justiça do Trabalho havia estabelecido uma cota mínima de operação de 80% dos trens nos horários de pico e de 60% nos horários fora dele. Um julgamento, ainda a ser marcado, definirá se a multa de R$ 100 mil determinada em caso de descumprimento da regras será cobrada do sindicato. 

 

Licitação

O leilão de concessão das linhas chegou a ser suspenso no meio da tarde desta quinta, por decisão do juiz Adriano Marcos Laroca, da 12.ª Vara da Fazenda Pública da cidade, como antecipou a colunista Sonia Racy, do Estadão/Broadcast. Ele atendeu a pedido de liminar proposto pelos vereadores Sâmia Bomfim e Toninho Vespoli, da bancada do PSOL na Câmara Municipal. Eles argumentavam que o Metrô não poderia fazer a privatização sem autorização da Assembleia Legislativa e o edital estaria direcionado para o Grupo CCR - dado contestado pela empresa e pelo governo do Estado.

No começo da noite, acatando pedido do Metrô, o presidente do TJ decidiu suspender a liminar, mantendo o leilão para esta sexta-feira. Manoel de Queiroz Pereira Calças argumentou, em sua decisão, que a não realização da licitação causaria uma “violação da ordem pública”. 

Para entender: obras estão atrasadas

A proposta do governo do Estado para as Linha 5-Lilás e 17-Ouro, ambas em obras, é repassar para uma empresa privada a operação e a manutenção dos ramais. A empresa teria de contratar funcionários para operar trens, sistemas e cuidar das estações.

Ambas as linhas estão com obras atrasadas. A promessa mais recente é de concluir a Linha 5 até o fim deste ano. Já a Linha 17 - o monotrilho sobre a Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul, está prometida para o quarto trimestre de 2019. 

O leilão prevê como vencedora a empresa que oferecer a maior outorga fixa pelo pacote, com lance mínimo de R$ 189 milhões. A empresa também receberá uma remuneração de R$ 1,70 por passageiro transportado. 

Em setembro, o processo chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado, mas acabou liberado após esclarecimentos feitos pelo Metrô. 

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