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Greve do metrô continua e Alckmin fala em ação política para ‘criar o caos’

Bruno Ribeiro - O Estado de S. Paulo

05 Junho 2014 | 21h 20

Paralisação atingiu 3 das 5 linhas paulistanas e prejudicou 3,9 milhões de pessoas. Após reunião acabar sem acordo, Estado solicitou julgamento de dissídio e sindicato prometeu ampliar piquetes e fechar a Radial.

SÃO PAULO - A greve dos funcionários da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), que atingiu parcialmente três das cinco linhas paulistanas e fechou 26 das 61 estações, continua nesta sexta-feira, 6. Cerca de 3,9 milhões de pessoas foram prejudicadas. Os metroviários prometem ampliar a paralisação, fazendo piquetes para impedir que o pessoal administrativo ajude na operação da rede. Pela manhã, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) atacou o movimento, destacando que há uma “nítida ação política para criar o caos”. O rodízio de veículos na capital paulista continua suspenso nesta sexta.

À tarde, terminou sem acordo a reunião de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho. Depois de fazer uma nova proposta, baixando o índice de reajuste esperado de 16% para 12,2%, e de sugerir novamente catraca livre para liberar todas as estações, os metroviários recusaram a proposta da companhia, que manteve o porcentual oferecido nesta quinta-feira, 5, de 8,7%. 

Alex Silva/Estadão
Ao final do dia, estação Barra Funda, na zona oeste, tinha circulação normal

A desembargadora Rilma Aparecida Hemetério, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, manteve a liminar que exige 100% de operação nos horários de pico e 70% no restante do dia, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, e cobrou os metroviários. “Minha ordem é para ser cumprida, e não ser levada para assembleia.”

O Metrô entrou nesta quinta com ação de dissídio de greve e o Sindicato dos Metroviários tem 24 horas para se manifestar. Só depois disso é que a Justiça poderá determinar se a greve é ou não legal. O relator é o desembargador Rafael Pugliese e o tribunal não descarta uma análise antes do fim de semana, considerando que o órgão estará em plantão por causa da Copa.

Alckmin versus metroviários. Pela manhã, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) atacou o sindicato e disse que há “um nítido movimento político para criar esse caos, essa bagunça”. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, ele destacou que “nem essa desculpa esfarrapada de que teria de ser (um reajuste) de dois dígitos existe mais”. De acordo com ele, a soma dos benefícios agora oferecidos alcança 10,6%. “O governo já fez seis propostas, e cada vez tem outra exigência. Nitidamente (a razão) era fazer a greve. Agora é ter o dissídio o mais rápido possível.”

Já os metroviários rebateram. Citam que o governo não apresentou nova proposta ontem e exigiram envolvimento direto do governador. “O Alckmin tem de tomar cuidado, tem de se envolver e pegar o comando das negociações”, afirmou o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior.

A categoria decidiu fazer um ato às 16 horas de hoje na Estação Tatuapé, com possibilidade de fechar a Radial Leste. “Há risco de a greve continuar (até a Copa), se o governador não negociar”, diz Prazeres.

O presidente do Metrô, Luiz Antônio Carvalho Pacheco, saiu em defesa do governo. “O governador está envolvido. Não é justo transferir para o governador a decisão da catraca livre. O presidente do sindicato mandou uma carta petulante, dizendo que desafiava o governador (sobre a catraca livre). O governador não está aqui para ser desafiado.”

De acordo com Pacheco, a decisão de liberar a cobrança nas catracas resultaria em renúncia fiscal de R$ 5 milhões. “Podemos ser alvo de uma ação de improbidade proposta por qualquer cidadão.” / COLABOROU CAIO DO VALLE