1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Governo de SP vai pedir internação de líderes do PCC no RDD

Luciano Bottini Filho - O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2014 | 18h 47

Decisão foi anunciada um dia após o estadão.com.br revelar que o 'partido do crime' planeja resgatar seus integrantes

Atualizada às 19h52

SÃO PAULO - A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo vai pedir à Justiça a internação de quatro líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre eles Marcos Willians Camacho, o Marcola - um dos principais nomes do "partido do crime" -, no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) do Presídio Presidente Bernardes. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira, 27, um dia depois de o estadão.com.br revelar que o PCC tem um plano para resgatar Marcola e os outros três líderes.

Criado em 2003 para os presídios de segurança máxima, o RDD prevê que o detento fique em cela individual, com monitoramento de câmera. Ele fica 22 horas isolado e tem o direito a 2 horas de banho de sol por dia. O detento é proibido de ver televisão, ouvir rádio, ler jornais e revistas e pode receber a visita de duas pessoas uma vez por semana. Pela lei, o preso pode ficar um ano nesse regime, tempo que pode ser prorrogável em caso de indisciplina ou tentativa de fuga.

As informações sobre o plano constam em um relatório sigiloso preparado pela inteligência das Polícias Civil e Militar e pelo Ministério Público Estadual (MPE), em mãos da Justiça paulista.

Para que o plano dê certo, três integrantes da facção tiveram aulas de voo em 2013 no Campo de Marte, na zona norte da capital. O professor dos bandidos foi, segundo o relatório, Alexandre José de Oliveira Junior, copiloto do helicóptero do deputado federal Gustavo Perrella (SDD-MG).

Oliveira Junior foi preso em 25 de novembro do ano passado no Espírito Santo pela Polícia Federal quando descarregava 450 quilos de cocaína de um helicóptero – a aeronave pertencia ao deputado. A facção começou seu plano em janeiro do ano passado. Os bandidos montaram uma base em Porto Rico, no Paraná. De lá, iriam de carro até o Aeroporto de Loanda, também no Paraná, que seria o ponto central do plano.

Aeronaves compradas em São Paulo ou sequestradas pousariam em Loanda, na região de Maringá, onde carregariam a tropa de assalto do PCC. Seriam dois helicópteros – o Esquilo é o modelo usado pela PM. A intenção dos bandidos era camuflá-lo para que policiais que guardam a muralha da Penitenciária-2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, o confundissem com uma helicóptero Águia.

A outra aeronave carregaria a metralhadora e daria proteção ao Esquilo. Durante a aproximação, Marcola, Claudio Barbará da Silva, Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, e Luiz Eduardo Marcondes Machado, o Du Bela Vista, sairiam de suas celas em direção ao pátio interno. As grades delas já estão serradas e camufladas. Os quatro bandidos subiriam em um cesto blindado, preso ao helicóptero.