DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Governo de SP promete operar maior número de estações, caso greve do metrô seja mantida

Liminar determina a manutenção do efetivo de 80% do serviço nos horários de pico; CPTM vai funcionar normalmente, garante o secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, em entrevista à Rádio Eldorado

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 10h11
Atualizado 17 Janeiro 2018 | 20h58

SÃO PAULO – Diante da possiblidade de greve dos metroviários nesta quinta-feira, 18, anunciada pelo sindicato da categoria, o Governo do Estado de São Paulo já prepara ações para amenizar os transtornos aos trabalhadores que utilizam o transporte público.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o secretário dos Transportes Metropolitanos de São Paulo garantiu que um trabalho de contingência será organizado a partir das 4 horas da manhã para avaliar a abrangência da paralisação. “Vamos operar a maior parte das estações possíveis”, prometeu Clodoaldo Pelissioni.

Os metroviários marcaram para esta quinta-feira uma greve de 24 horas. Segundo o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, o protesto é contra a privatização das Linhas 5–Lilás e 17–Ouro, marcada para ocorrer na sexta-feira, 19. 

Assembleia realizada nesta quarta-feira, 17, no sindicato confirmou a paralisação na quinta-feira.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) deferiu, na tarde de segunda-feira, 15, liminar para garantir o funcionamento do sistema metroviário, considerando a iminente greve marcada pelo sindicato. A liminar determina a manutenção do efetivo de 80% do serviço nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e 60% nos demais horários, sob pena de aplicação de multa no valor de R$ 100 mil.

O secretário dos Transportes Metropolitanos de São Paulo defende que a greve é política. “Esperamos que a greve não ocorra. Não temos litígio quanto aos salários e aos benefícios. Os sindicalistas são contra a concessão da operação das Linhas 5–Lilás e 17–Ouro. Eles não querem perder sua força porque não poderão mais fazer greve quando quiserem. Essa greve é política”, ressaltou Pelissioni.

Sobre a afirmação de que a CCR é o único consórcio capaz de vencer o leilão, o secretário reforça que a informação está equivocada.

“Fizemos um edital e trabalho para muitos operadores de metrô e trem. A gente não pode deixar que uma empresa que nunca operou um sistema de trem venha a operar, porque corremos um risco sério. Ao assumir duas concessões, a empresa vai transportar 1 milhão de passageiros por dia. Acreditamos que vai ter concorrência”, explicou o secretário.

Em setembro de 2017, equipe do Governo de São Paulo fez roadshow e fez contato com pelo menos quatro grupos europeus capacitados para participar da licitação, que ocorre na modalidade internacional justamente para ampliar a concorrência.

“O edital de licitação passou por ampla revisão do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, de 26 de setembro a 19 de dezembro do ano passado. Nestes 85 dias, o órgão solicitou apenas a alteração em um único item do edital, liberando-o, em seguida, para publicação. É importante ressaltar que todos os questionamentos foram julgados improcedentes. Além disso, todos os integrantes dos consórcios que formam as SPEs (Sociedades para Propósitos Específicos) que atuam na área metroviária são dotados de competência para participar do pregão”, reforçou a nota.

Caso a greve seja mantida, o secretário salienta que a multa de R$ 100 mil será aplicada ao sindicato. “Esperamos ainda que a maior parte dos funcionários venha trabalhar. Quem não vier perderá o dia e também o descanso remunerado. Poderá ainda ser prejudicado em eventual promoção”, afirmou ele.

No ano passado, greve dos metroviários prejudicou a vida de muitos trabalhadores. Ela aconteceu no dia 28 de abril, véspera do feriado de 1º de maio. Na estação Corinthians-Itaquera, da Linha 3-Vermelha, os portões não foram abertos às 4h30 como de costume, relataram os passageiros que aguardavam do lado de fora. A categoria decidiu aderir ao chamado dia de greve geral, organizado por centrais sindicais. 

Obras. O secretário Clodoaldo Pelissioni acrescenta que a entrega de muitas obras do metrô neste ano não tem relação com a possível candidatura à presidência do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). “Não é por causa das eleições. Tivemos que rescindir contratos da Linha 4-Amarela, por exemplo. Queríamos entregar antes", completou ele.

Ainda em janeiro está prevista a inauguração da estação Mackenzie-Higienópolis da Linha 4-Amarela. Em março, será entregue a estação Oscar Freire e em julho, a São Paulo-Morumbi.

Neste ano também serão entregues as estação Eucaliptos, Moema, Hospital São Paulo, Chácara Klabin, Santa Cruz e Campo Belo da Linha 5-Lilás.

Para o monotrilho da Linha 15-Prata, que liga a Vila Prudente à São Mateus, serão abertas mais oito estações.

As operações assistidas na linha ferroviária, que vai chegar até o Aeroporto Internacional de Guarulhos, vão começar entre março e abril. A entrega da obra está prevista para julho.

Sobre a realização de check-in antecipado na estação Luz, o secretário dos Transportes Metropolitanos reforçou que não houve acordo com as companhias aéreas e o GRU Airport.

“É complicado para uma família entrar no trem e no ônibus com muitas malas”, disse. Clodoaldo Pelissioni ainda defende novo diálogo com as companhias aéreas.

Ouça a seguir a entrevista na íntegra:

 

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