Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Governo de SP oferece 2,4 mil moradias para MTST deixar ocupação no ABC

Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto comemora acordo com Secretaria da Habitação envolvendo a ocupação 'Povo Sem Medo', em São Bernardo do Campo

O Estado de S. Paulo

19 Março 2018 | 22h05

SÃO PAULO - Acampados há seis meses em um terreno particular em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) comemoraram um acordo firmado com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) que prevê a entrega de 2,4 mil unidades habitacionais para a entidade em troca do fim da ocupação, batizada de "Povo Sem Medo".

O acordo foi anunciado como uma vitória da ocupação pelo coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, no último domingo, 18, com direito à queima de fogos. Segundo ele, o governo do Estado vai ceder quatro terrenos na região para a construção das moradias, que deve ocorrer por meio do programa Minha Casa Minha Vida Entidades.

Em nota, a Secretaria de Estado da Habitação afirmou que a finalidade da proposta é "atender e dar dignidade às famílias da ocupação de São Bernardo do Campo que se enquadrem aos requisitos da política pública habitacional vigente". Segundo a pasta, a meta é viabilizar 2,4 mil unidades habitacionais de interesse social, por meio de programas do Estado e do governo federal. 

Em troca, o MTST deverá deixar a ocupação onde vivem, segundo o movimento, cerca de 8 mil famílias. Com 78 mil metros quadrados, o terreno do bairro Planalto, próximo à Rodovia Anchueta, pertence à empresa MZM Incorporação Ltda. e foi ocupado pelos sem-teto no dia 1.º de setembro do ano passado.

Em outubro, um grupo de artistas organizou a realização de um show do cantor Caetano Veloso na ocupação, mas a apresentação foi proibida pela Justiça. "Nós viemos aqui com vontade de cantar e com a missão de cantar para mostrar solidariedade ao movimento que vocês levam à frente. Mas, como vocês já sabem, manobras legais foram feitas para que o show não pudesse acontecer, mas nós estamos aqui juntos", disse Caetano na ocasião.

Naquele mês, centenas de militantes caminharam por 20 km até a sede do governo paulista para pressionar o gestão Alckmin a desapropriar o terreno para construir moradia popular no local. Boulos se reuniu com o secretário Rodrigo Garcia, que pediu um cadastro das famílias aptas a receberem unidades financiadas pelo governo.

O show em apoio à ocupação só foi feito em dezembro no Largo da Batata, em Pinheiros, dias após militantes do MTST invadirem a sede da Secretaria de Estado da Habitação, no centro da capital, cobrando novamente o secretário a tomar alguma medida para resolver o impasse. Naquele mês, um acordo judicial suspendeu a reintegração de posse do terreno por quatro meses, prazo que termina em abril.   

 

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