Governo de SP decide aumentar em 10% subsídio para restaurantes do Bom Prato

Nas 51 unidades da rede, as refeições são servidas a R$ 1.

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2016 | 20h22

SÃO PAULO - Após gestores de restaurantes populares do Bom Prato ameaçarem devolver unidades para o Estado por falta de recurso, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu reajustar em 10,1% o repasse oferecido às entidades a partir do próximo mês. O valor cobrado aos consumidores, de R$ 1 no almoço e R$ 0,50 em café da manhã, será mantido. Em crise financeira, os administradores queriam aumento de 34,15% e afirmam que há defasagem acumulada nos preços.

Em abril, um grupo de gestores entregou à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social uma carta-manifesto com cerca de 20 assinaturas, em que disseram estar à beira de um "colapso financeiro" e oferecendo "alimentação de qualidade inferior ao padrão", conforme revelou o Estado. No documento, escreveram  que seriam "obrigados" a encerrar as atividades "em um curto período de tempo", caso não houvesse reajuste.

O governador Geraldo Alckmin chegou a reconhecer que algumas entidades passavam por problemas financeiros, mas afirmou que só negociaria aumento a partir de outubro, quando completasse um ano do último reajuste, também de cerca de 10%. Atualmente, há 51 unidades do Bom Prato em São Paulo, destinadas a pessoas de baixa renda. Elas são administradas por 41 entidades conveniadas, que recebem subsídio por cada refeição. A venda de alimentos em um restaurante tem limite estabelecido por contrato.

Com o aumento no subsídio, o repasse do governo vai subir de R$ 3,81 para R$ 4,19, por almoço, e de R$ 1,03 para R$ 1,13, por café da manhã. O dinheiro pago pelos consumidores, que está congelado desde o início do programa, em 2001, completa a arrecadação das entidades. Já no caso de refeições para criança, que não são cobradas, o governo estadual assume integralmente os custos.

“O governador determinou que nós não reajustemos o valor cobrado, então a população vai continuar pagando R$ 1 no almoço e R$ 0,50 no café da manhã. Com isso, a gente consegue, nessas 51 unidades do Bom Prato, equacionar a questão da inflação”, diz o secretário Floriano Pesaro, de Desenvolvimento Social. A inflação acumulada desde outubro de 2015 é de 8,7% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo a secretaria, o impacto do reajuste no Bom Prato será de R$ 2,07 milhões por mês. Hoje, os 83 mil pratos vendidos diariamente custam aos cofres públicos cerca de R$ 283,5 mil - ou aproximadamente R$ 74 milhões por ano, considerando apenas os dias úteis. Ao incluir o aumento, os gastos em 2016 devem fechar em cerca de R$ 80 milhões.

Aquém. Para os gestores, o reajuste está “muito aquém” da necessidade e não supre a defasagem acumulada desde 2006, que seria de 34,15% no custo do almoço e de 17,99% no café da manhã. “Com esses 10%, a gente vai torcer e rezar para ter reserva e conseguir pagar o 13º no fim do ano. Na situação atual, a gente não pode nem demitir funcionário, se for preciso, porque não tem como pagar”, afirma um representante das entidades, que não quis se identificar.

Para corrigir a defasagem, os gestores haviam sugerido aumentar o repasse para R$ 5,47 (almoço) e R$ 1,31 (café da manhã) ou que o governo cobrasse mais R$ 1 dos consumidores nas duas refeições. “Esses R$ 2 salvariam todos os problemas. Infelizmente, isso não passa pela cabeça do governador. Tudo aumenta, existe inflação, mas o projeto continua R$ 1 há 15 anos.”

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