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Governo dá 'falsa impressão' de que falta d'água está controlada, diz consórcio

Os reservatórios do Cantareira, que abastecem 47% da Grande São Paulo, estão nesta segunda com 15,9% da capacidade total

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Ricardo Brandt,
O Estado de S. Paulo

10 Março 2014 | 16h34

Atualizada às 20h56

CAMPINAS - O consórcio que representa municípios e usuários de água das 73 cidades da região de Campinas, onde estão os rios e represas que foram o Sistema Cantareira - maior fonte de abastecimento da Grande São Paulo -, divulgou uma nota de esclarecimento nesta segunda-feira, 10, acusando o governo do Estado e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) de transmitirem "a falsa impressão" de que o problema da falta de água está controlado.

Os reservatórios do Cantareira, que abastecem 47% da Grande São Paulo, estão nesta segunda com 15,9% da capacidade total, segundo medição do grupo anticrise para acompanhar o problema.

A carta do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) é uma resposta às medidas anunciadas de redução de retirada de água do Sistema Cantareira e a transferência de outros sistemas (Alto Tietê e Guarapiranga) para suprir a demanda de 2 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

"O fato levou a falsa impressão que a Região Metropolitana de São Paulo está totalmente protegida e que possui um sistema interligado, de vários reservatórios que garante seu abastecimento em qualquer situação. Tais reservatórios existem, mas são insuficientes para garantir o abastecimento da Grande São Paulo, principalmente em período de estiagem", afirma o documento.

Para o órgão, uma prova disso foi o fato de que a Sabesp manteve a retirada de 31 mil litros de água por segundo do Cantareira para a Grande São Paulo durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, nessa atípica seca de verão.

"Tanto que, o sistema integrado da RMSP não é sustentável, que mesmo sabendo do risco para a 'vida útil do Sistema Cantareira, a RMSP permaneceu , retirando aproximadamente 31 m³/segundo, levando os reservatórios a níveis abaixo de 20%, considerados altamente críticos", informa a nota.

Para o secretário-executivo do consórcio, Francisco Lahóz, a falta de planejamento e investimentos do governo em novas fontes de água para a Grande São Paulo provocaram esse conflito.

Sabesp. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou, por meio de nota, que o sistema integrado de abastecimento da Grande São Paulo é suficiente para atender os 20 milhões de usuários. Em resposta às críticas do consórcio que representa municípios e usuários de água do interior, de onde sai a água do Sistema Cantareira, o órgão disse que investiu desde 2004 mais de R$ 9,2 bilhões para ampliar a oferta de água.

"A companhia investe de forma contínua e planejada em ações de fornecimento de água" e cumpre as determinações dos órgãos reguladores do Sistema Cantareira (Agência Nacional de Águas e Departamento de Águas e Energia Elétrica). "A empresa esclarece que está tomando todas as providências para manter a normalidade do abastecimento dos 20 milhões de habitantes na Grande São Paulo."

O principal investimento em andamento, segundo a Sabesp, é a construção do novo sistema produtor de água São Lourenço, uma Parceria Público Privada com investimento de R$ 2,2 bilhões e que vai adicionar 4,7 mil litros de água por segundo, com entrega em 2018.

A Sabesp destacou ainda a ampliação do Sistema Alto Tietê, que adicionou mais 10 mil litros de água a cada segundo à produção para abastecer a Grande São Paulo, e de 700 litros por segundo no Sistema Rio Grande. (RB)cimento comercial. Até o final da tarde, nenhum suspeito tinha sido detido.

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