Gilberto Kassab: governo e futuro político em São Paulo

Passados quatro anos à frente da Prefeitura - dois na condição de vice que assumiu o mandato e outros dois como prefeito eleito -, um rápido balanço de Gilberto Kassab pode contribuir para compreender o atual momento. Em 5 de outubro de 2008, já como candidato à reeleição, Kassab detinha 61% de ótimo e bom. Esse quadro de popularidade certamente influiu no abandono da candidatura de Geraldo Alckmin pela maioria das lideranças do PSDB e resultou na vitória do DEM sobre a ex-prefeita Marta Suplicy, candidata do PT. Do ponto de vista de realizações administrativas, a Lei Cidade Limpa foi o principal destaque. Ainda nesse período, chama a atenção a habilidade de Kassab em não se deixar ser vinculado como anti-Lula. Sempre que provocado procurou ressaltar que desenvolvia parcerias muito importantes com o governo federal.

Análise: Marco Antonio Carvalho Teixeira, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

Entre março e agosto de 2009, os níveis de aprovação do governo Kassab oscilaram de 45% de bom e ótimo para 48%. Um conjunto de denúncias de irregularidades na gestão da merenda escolar feitas pelo Ministério Público aparece como fato negativo nesse período.

Ao ingressar no período de chuvas, pós-setembro de 2009, o governo Kassab se viu vulnerável em duas frentes. A primeira se refere ao corte nos gastos orçamentários decorrentes da redução de receitas municipais, justificada como necessária em razão da crise econômica mundial. A segunda é efeito imediato da primeira: o corte impactou diretamente a redução de recursos destinados a serviços básicos para manutenção da infraestrutura da cidade, como coleta de lixo, limpeza de piscinões e conservação de vias públicas, entre outros. Desse modo, as imagens de enchentes associadas ao entupimento de bueiros e a ineficiência na coleta de lixo foram devastadoras. Soma-se também o drama vivido pelos moradores do Jardim Pantanal, além do aumento significativo das tarifas de ônibus acima da inflação.

Assim, o desafio para o seu futuro político agora é reverter esse processo e recuperar a imagem de bom gestor. É importante frisar que o debate eleitoral está cada vez mais centrado na capacidade administrativa e disso depende, em muito, o sucesso político.

É PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE GESTÃO PÚBLICA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS E PESQUISADOR DO CENTRO DE ESTUDOS EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E GOVERNO, TAMBÉM DA FGV.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.