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Gabriela Biló/Estadão

Gil encerra festa de aniversário da capital e canta 'Sampa'

Simpático e inspirado, cantor distribuiu sucessos em show no Centro Esportivo Tietê na tarde desta segunda-feira

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Julio Maria,
O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2016 | 20h17

SÃO PAULO - Gil veio de branco, com o céu ameaçando chuva, para encerrar a programação oficial dos 462 anos de São Paulo, no Centro de Esporte e Lazer Tietê, nesta segunda-feira, 25. Cantou para uma pista generosa, com vontade de dançar e que cantava junto com facilidade. O espaço estava quase cheio, mas não lotado, um clima perfeito para famílias que levaram crianças. Gil estava simpático e inspirado,  finalmente empunhando sua guitarra vermelha, com uma banda de som cheio o apoiando. Há um bom tempo que Gil não aparecia eletrificado assim em um espaço público.

Cantou a abertura Tempo Rei e, depois, A Novidade. Já tinha o público nas mãos quando começou Não Chore Mais, reggae bobmarleyano. Assim que acabou, o sol fraco da tarde estava de volta. Ele então subiu dois graus em seu set jamaicano, com a força de Is This Love e, em seguida, a calmaria de Three Little Birds, tudo de Bob Marley.

Sem lembrar nada de seu disco mais recente,  em que homenageou a obra de João Gilberto,  pulou do reggae para o baião com Esperando na Janela, de Targino Gondim, e só então acalmou a tarde com A Paz e Drão.

O céu começou a ficar escuro, com nuvens carregadas."Estava quente, mas de repente bateu esse vento mais frio e o violão desafinou", disse Gil calmamente, sem perceber o temporal que ameaçava cair.  Ele afinou o instrumento e atacou de samba, desta vez Chiclete com Banana.

Gil surpreendeu ficando sozinho no palco para cantar apenas com violão Sampa, de Caetano Veloso, sua mais clara homenagem no repertório. Esqueceu pequenas partes da música,  mas fez disso um charme. Sua banda já estava a postos para emendar Andar com Fé,  mais afro e mais cheia de vida que a versão conhecida. E os tambores continuaram dando as cartas em uma introdução cheia de jazz do baixista Arthur Maia para a arrebatadora Palco.

Vamos Fugir deixou o próprio Gil em êxtase. Ele pulou, dançou e gritou notas de uma forma que deve deixar o médico que cuida de suas cordas vocais desesperado. Algo também que há muito não fazia foi Punk da Periferia, em que homenageia o bairro da Freguesia do Ó. E seguiu falando de São Paulo com Nos Barracos da Cidade. Quem ouviu a letra entendeu o recado. A chuva não pegou Gil,  e ele acabou dizendo: "Obrigado São Paulo. Muita força, muita luta, muita simpatia". Voltou para o bis empolgado, e se despediu com Realce e Toda Menina Baiana.

Abertura. Foi o grupo Demônios da Garoa que abriu a tarde. Com 20 minutos de atraso, às 16h20, o conjunto vocal de carreira mais longeva do mundo (com mudanças de formação,  já são 100 anos de atividade ininterruptos), os Demônios chegaram cantando Tiro ao Álvaro.

Com sua forma única de abrir vocais, típica dos anos 50, os sambistas mostraram canções como Você Abusou, IpanemaSamba do Arnesto e Volta Por Cima. Fizeram uma homenagem aos Paralamas do Sucesso com Óculos. E tiveram como convidados o rapper Ogi, a cantora Juçara Marçal e até o senador Eduardo Suplicy,  que cantou com todos no palco a clássica Trem das Onze.

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