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Gabriela Biló/Estadão

‘Gatos’ começam a sumir em ocupação na Grande São Paulo

Comunidade Pégasus, em Embu das Artes, é a primeira a receber rede de água de programa da Sabesp em áreas irregulares

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Fabio Leite,
O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2016 | 11h02

EMBU DAS ARTES - As mangueiras das ligações clandestinas que abasteceram centenas de famílias nas duas últimas décadas ainda contornam as vielas da comunidade Pégasus, em Embu das Artes, Grande São Paulo. Mas a água que a moradora Natália dos Reis, de 31 anos, usa para cuidar dos quatro filhos, agora, chega pelo cano aterrado e sai mais limpa da torneira. 

A ocupação irregular onde ela vive há quase um ano é a primeira a receber a rede de abastecimento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em um programa recém-lançado para reduzir as perdas de água por causa dos chamados “gatos”. A meta é regularizar o fornecimento de água de 120 mil casas erguidas em áreas públicas que não sejam de proteção ambiental até 2017, 30% do total de domicílios nessa situação na região metropolitana.

“A gente pegava água direto da mangueira na rua com galão e quase sempre vinha quente. As crianças ficavam com muita diarreia. Isso quando não faltava água e elas tinham desidratação”, contou Natália, que mora em uma das 1.141 casas conectadas à tubulação da Sabesp entre novembro de 2015 e este mês.

Segundo a Sabesp, desde então, 17 milhões de litros de água potável deixaram de ser desperdiçados por meio de furos e rompimento das mangueiras improvisadas. Ao término da ofensiva, que deve beneficiar 400 mil pessoas, a meta é economizar até 2,5 bilhões de litros por mês, volume suficiente para atender uma cidade do porte de Piracicaba, no interior paulista.

“A principal vantagem para a Sabesp é a diminuição das perdas. Deixamos de produzir água potável para virar vazamento. Para a comunidade, além de isentar o chefe de família de ficar trocando tubo aos domingos, você dá cidadania às pessoas, uma vez que a conta de água se torna um comprovante de endereço que eles não tinham”, diz o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

Natália conta que foi só após receber a primeira conta, neste mês, que conseguiu matricular os filhos na escola municipal. “Era como se a gente não existisse antes. Era difícil até ser atendido no posto de saúde porque eles pediam um comprovante de residência”, conta a cozinheira, que paga a tarifa social - R$ 7,00 para quem consome até 10 mil litros por mês - 66% mais barata do que a tarifa básica.

Para ela, agora “só falta o esgoto”. Kelman explica que negocia a instalação dessa rede com as prefeituras, que precisam fazer a reurbanização das áreas para que a infraestrutura subterrânea possa ser executada.

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