Gasto anual com passagem chega a R$ 4,5 bilhões

No ano passado, os paulistanos gastaram R$ 4,51 bilhões com as tarifas de ônibus municipais. É o que mostram os dados da São Paulo Transporte (SPTrans) obtidos pela reportagem. Para efeito de comparação, esse valor é maior do que o Produto Interno Bruto (PIB) de cidades médias do interior do Estado, como Araçatuba e Marília.

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h04

O montante diz respeito ao total pago pelos passageiros nas catracas dos coletivos, seja com dinheiro vivo ou por meio dos créditos do bilhete único. Em 2011, os passageiros desembolsaram uma quantia um pouco menor, de R$ 4,502 bilhões. A tendência é de que, com o aumento da passagem de R$ 3 para R$ 3,20 desde o dia 2, esse gasto suba.

"Vai crescer na proporção, indiretamente", afirma o arquiteto e especialista em Transportes Flamínio Fichmann. Ainda de acordo com Fichmann, o aumento só não será tão significativo se o desempenho da economia não for tão bom. "Isso se reflete na mobilidade, porque as pessoas se deslocam menos, seja de ônibus ou de carro."

Em 2009, quando o preço da tarifa era de R$ 2,70, os passageiros gastaram, no total, quase 25% menos do que em 2012 com as passagens de ônibus em São Paulo. Foram R$ 3,474 bilhões arrecadados pela SPTrans. Ontem, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que gostaria de não ter aumentado a tarifa e que não há como baixar o valor. "Se eu pudesse, não ter dado o reajuste, eu não teria dado."

Fernando Haddad já ressaltou, em entrevista ao Estado concedida há uma semana, que a adoção de uma tarifa zero na capital paulista, reivindicação do Movimento Passe Livre, custaria R$ 6 bilhões anuais. Além disso, uma redução dependeria de mais benefícios federais.

Marmita. Para muitos trabalhadores paulistanos, o aumento de 20 centavos no preço do bilhete prejudicará o orçamento. É o caso do limpador de vidros Paulo Aparecido da Silva, de 43 anos. "Trabalho de segunda a sábado, gastando R$ 6,40 por dia. É muito dinheiro, faz falta."

Quem depende do metrô ou da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também reclama, uma vez que o preço das passagens no sistema sobre trilhos igualmente subiu de R$ 3 para R$ 3,20 no dia 2.

"Agora, estou tendo de trazer marmita porque, com o aumento, não tenho dinheiro para almoçar", diz o entregador Deividson Pereira da Silva, de 19 anos, que trabalha na capital e mora em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. A auxiliar Maria Madalena Oliveira de Lima, de 42 anos, usa ônibus diariamente e diz ser favorável aos protestos pacíficos pela redução da tarifa. "As pessoas têm o direito de se manifestar nas ruas, ainda mais pela qualidade do transporte que temos hoje."

Subsídios. Apesar de os gastos dos paulistanos com a tarifa terem aumentado nos últimos anos, a Prefeitura tem despendido cada vez mais com subsídios às empresas que gerenciam o sistema para manter o preço da passagem.

Para este ano, devem ser gastos R$ 1,250 bilhão, de acordo com Haddad. Em 2012, foram desembolsados R$ 953 milhões. No ano passado, foram transportados nos ônibus municipais de São Paulo 2,916 bilhões de passageiros, ante 2,940 bilhões em 2011.

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