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Mario Angelo/Sigmapres

Garis mortos na Marginal Pinheiros começaram trabalho semana passada

Motorista era bancário e foi autuado por homicídio doloso; ele se recusou a passar pelo bafômetro, mas PM diz que ele tinha 'sinais claros de embriaguez'

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William Cardoso, de O Estado de S. Paulo ,

23 Outubro 2011 | 03h01

O gerente de banco Fernando Mirabelli, de 32 anos, foi preso em flagrante ontem depois de atropelar e matar dois garis e ferir um terceiro no acesso da Marginal do Pinheiros à Ponte Ari Torres, em Cidade Jardim, na zona sul de São Paulo. Segundo a polícia, ele estava embriagado e em alta velocidade quando perdeu o controle do veículo, uma Toyota Hilux.

Mirabelli, que mora na Chácara Sergipe, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, retornava de uma casa noturna em Guarulhos. O acidente aconteceu por volta das 7h, quando ele tentava chegar à casa dos pais, no Campo Belo, zona sul. Antes, já havia atravessado a Rodovia Presidente Dutra, a Marginal do Tietê e a Marginal do Pinheiros.

Mas foi na Ponte Ari Torres, que dá acesso à Avenida dos Bandeirantes, que o motorista perdeu o controle do carro. Segundo testemunhas, ele atropelou primeiro o gari Aldenir Abrantes Dantas, de 21 anos, que sinalizava com uma bandeira a existência de mais trabalhadores à frente - ele ficou ferido. Em seguida, derrubou um semáforo e subiu no guardrail.

Com o veículo descontrolado, deslizou pelo guardrail e atingiu Alex Damasceno de Souza, de 26 anos, e, depois, Roberto Pires de Jesus, de 36. Os dois garis foram arrastados por cerca de 20 metros e morreram no local. O carro ainda rodopiou e atingiu outro guardrail. "Tinha a sinalização, com cones, mas ele estava a pelo menos uns 120 km/h, entrou na curva cantando pneu", diz Gleidison Lima, de 34 anos, que também trabalhava no local.

O bancário ainda tentou fugir, mas foi impedido. "Tinha garrafa de Jurupinga e de cerveja no banco de trás. Ele estava muito bêbado, não conseguia parar em pé", afirma o também gari Humberto Orsi Neto, de 43 anos.

No boletim de ocorrência consta que Mirabelli teria sido agredido por um grupo de motoqueiros desconhecidos, e que por isso foi levado ao Hospital Universitário. O bancário se recusou a passar pelo teste do bafômetro e a fornecer sangue, mas ficou constatado no exame clínico, duas horas após o acidente, que ele apresentava sinais claros de embriaguez.

Ele foi levado para a central de flagrantes no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi), e autuado por homicídio doloso, porque, ao beber, assumiu o risco de matar, segundo a delegada plantonista Luciana Zanella. De acordo com ela, Mirabelli disse que bebeu cerveja, mas às 21h de sexta-feira, sem especificar a quantidade.

O caso será investigado pelo 34.º DP (Vila Sônia), responsável pelo local do acidente. O motorista passaria a noite detido no 91.º DP (Ceagesp).

O advogado do bancário, Alexandre de Thomaso, disse que pedirá na Justiça a liberdade provisória do cliente. Segundo ele, Mirabelli não falou sobre bebidas alcoólicas e disse apenas que perdeu o controle do carro porque foi fechado por outro veículo. "Ele estava em estado de choque", disse. O pai do bancário, que não quis se identificar, foi ao DP à tarde e não se manifestou.

Revolta. Os dois mortos começaram a trabalhar como garis na última semana. Os familiares foram ao 89.º DP e ficaram revoltados quando souberam que o atropelador estava bêbado.

Segundo o segurança Ariomar Damasceno, de 33 anos, irmão de Alex, a lei é falha. "Tinha de ser mais rígida. Ele matou alguém que saiu para trabalhar e daqui a pouco estará livre", disse. Alex tinha um filho de 4 anos e seria pai novamente (a namorada está grávida). Ele morava no Conjunto Cingapura da Freguesia do Ó.

Um dos três filhos de Roberto, o ajudante de cozinha Diego Santos, de 20 anos, também se revoltou. "Está cheio de advogados para defendê-lo (Mirabelli). Só espero justiça."

A empresa onde os garis trabalhavam ofereceu às famílias auxílio funeral de R$ 400 e cesta básica por um ano.

Aldenir está internado no Hospital Santa Marcelina. Ele sofreu fratura na bacia e não corre risco de vida.

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