Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Frio mata ao menos quatro moradores de rua em SP, diz pastoral

Segundo entidade, dois corpos foram encontrados em Santana; outras duas vítimas foram achadas na Paulista e no Belenzinho

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2016 | 14h58

SÃO PAULO - Ao menos quatro moradores de rua morreram em junho em consequência das baixas temperaturas na capital paulista, segundo a Pastoral do Povo de Rua. Além dos corpos encontrados na Avenida Paulista, na região central, e no Belenzinho, na zona leste, a entidade ligada à Arquidiocese de São Paulo informou que duas vítimas foram achadas na região de Santana, na zona norte.

De acordo com a pastoral, as duas pessoas encontradas em Santana ainda não foram identificadas. "Tudo leva a crer que a causa próxima da morte deles foi o frio", disse, em nota, a entidade. "Aos poderes públicos, apelamos a que se realizem ações emergenciais de socorro aos moradores de rua durante os dias frios e se promovam políticas estáveis e permanentes para assegurar a dignidade dessas pessoas."

Mortes. Neste domingo, 12, o morador de rua Adilson Roberto Justino, cuja idade não foi divulgada, foi achado morto na calçada da Avenida Paulista, sem sinais de violência física.

Segundo uma testemunha, o morador de rua morreu após apresentar convulsões. O local passou por perícia e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para que seja determinada a causa da morte.

Na sexta-feira, 10, João Carlos Rodrigues, de 55 anos, foi encontrado por seguranças do Metrô morto na rampa de acesso à Estação Belém. O corpo não apresentava sinais de violência. A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do município informou que ele não teve nenhuma passagem pelos centros de acolhida de São Paulo. 

Segundo a secretaria, apenas nos arredores do Metrô Belém, são feitas, em média, três abordagens para oferecer acolhimento a moradores de rua. Ainda segundo a pasta, desde o dia 15 de maio, foram registrados mais de 240 mil acolhimentos pelos programa Operação Baixas Temperaturas. Apenas na madrugada de sexta-feira, foram 10.963 acolhimentos. 

A Operação Baixas Temperaturas é colocada em ação quando há registro de temperaturas abaixo de 13ºC. Nesses dias, em caráter excepcional, as vagas nos Centros de Acolhida são ampliadas de acordo com a demanda. 

Frio recorde. A capital paulista registrou 3,5ºC de temperatura mínima na madrugada desta segunda-feira, 13, na estação meteorológica do Mirante de Santana, a menor em 22 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O valor é o mais baixo desde 10 de julho de 1994, quando os termômetros marcaram apenas 0,8ºC.

Ainda de acordo com o Inmet, o recorde de frio anterior tinha sido registrado na sexta-feira, com 5,5ºC. Em toda a série histórica do instituto, a menor temperatura vista na capital foi de -2,1ºC, em 2 de agosto de 1955.

No amanhecer desta segunda-feira, houve relatos de geada em diversos bairros da capital e de cidades da região metropolitana.

Temperatura negativa. O Inmet também registrou a menor temperatura do ano no Estado: -3,6ºC em Barra do Turvo, no Vale do Ribeira. A mesma cidade havia tido -2,9ºC neste domingo.

Em Campos de Jordão, houve registro de geada forte com mínima de -1,1°C. Já em Rancharia, no Vale do Paranapanema, a mínima foi de -2,6ºC, a segunda menor do Estado. Também foram registradas temperaturas negativas em São Miguel do Arcanjo (-2,5ºC) e São Luís do Paraitinga (-1,7ºC).

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