'Foi uma fatalidade, tomamos decisões em fração de segundos'

Na opinião de um integrante da Polícia Militar com mais de 20 anos de corporação, que falou ao Estado sob sigilo, os três PMs envolvidos na morte do publicitário agiram para se defender.

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2012 | 03h03

Por que os PMs atiraram?

Porque estavam em uma situação de confronto, parou um carro de frente para o outro. Você persegue o veículo por várias ruas, com Giroflex e tudo, e ele não para, só foge. Você vai imaginar o quê? É instinto de defesa do ser humano. E o gesto de pegar o celular (como alegam os policiais envolvidos na ocorrência) fez os PMs pensarem que era uma arma. Após uma perseguição de vários minutos, você não acha que a pessoa vai sair do carro dando 'tchauzinho', é posição de confronto. E a polícia tem de tomar decisões em frações de segundos.

Mas a vítima era inocente.

E os PMs estão presos e vão ser julgados. A população precisa entender que não pode pôr a vida em risco (resistindo a uma perseguição) porque está com entorpecente, com a habilitação vencida. Isso tudo se resolve administrativamente. O nível de estresse hoje é generalizado, um idoso sai do carro com um pedaço de pau para brigar no trânsito...

Há um clima de tensão também na PM, após os ataques?

Há um estado de alerta, de prontidão após os ataques, que leva à tensão. Mas o caso do publicitário foi uma fatalidade.

Os PMs pensaram que podia ser um bandido.

Podia. Quando o bandido que entra em confronto, e mata um PM, vai para a cadeia, ele é enaltecido. Fazem churrasco para ele aqui fora. A adrenalina do PM vai lá em cima.

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