Fim de feira rende protesto na Consolação

Moradores da região da Praça Roosevelt fazem manifestação contra decisão da Prefeitura

MONIQUE ABRANTES, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2012 | 03h05

Com faixas, cartazes e megafones, moradores da região da Consolação, no centro da capital, protestaram na manhã de ontem contra a decisão da Prefeitura de acabar com a feira livre que acontece aos domingos na Rua Gravataí.

A concentração começou na frente da Igreja da Consolação e seguiu para a Gravataí. As barracas já haviam sido transferidas da Rua João Guimarães Rosa no início deste ano por causa da proximidade com a Praça Roosevelt, que passa por obras de revitalização. De acordo com alguns feirantes, a mudança diminuiu o movimento de fregueses.

O engenheiro José Tadeu Bincoletto, de 55 anos, que está há 25 anos na feira com a sua barraca de frutas, questiona a decisão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) de acabar com o comércio de rua. "Todo mundo se sente em casa aqui. A Prefeitura não nos informa sobre nada. Apenas falaram que temos prazo para sair, mas não nos apresentou outra sugestão de lugar", reclama.

A funcionária pública Maria Alice Parron, de 54 anos, mora na Consolação e frequenta a feira, que existe desde 1948, há muitos anos. Para ela, a extinção das barracas de frutas, verduras e legumes será uma perda muito grande para os moradores da região, que não contam com outras opções.

"É um absurdo tomar uma decisão dessas, que prejudicará diversas pessoas que frequentam a feira, por uma praça que, na verdade, será subutilizada."

A feirante Elita Maria da Silva, de 39 anos, trabalha na feira desde criança, quando a mãe começou a vender caldo de cana. Ela aponta que a indignação maior vem da parte dos próprios vizinhos. "Os moradores não querem a retirada da feira, tanto que a manifestação partiu deles."

Além da passeata, um abaixo-assinado contra a medida da Prefeitura já recolheu cerca de 3,5 mil nomes.

Para o comerciante de frangos Sinésio Medeiros Correia, de 55 anos, a mobilização dos fregueses é muito importante. "Isso demonstra a força das pessoas que frequentam a feira, além da insatisfação delas com essa decisão. A feira ajuda os moradores, que encontram tudo fresquinho, e a nós, que geramos empregos."

O feirante José Domingos Ferreira, de 57 anos, lembra do anseio dos moradores da região há mais de cinco décadas por uma feira livre e do pedido feito por eles à Prefeitura. Ele critica a decisão do prefeito Gilberto Kassab e a classifica como egoísta. "Ele tem que ter bom senso e ver o lado do povo. Como entender uma decisão dessas? A feira está instalada em uma via calma e com prédios que não possuem garagens. Qual é o problema?"

Ele diz que houve rumores de que a feira poderia ser transferida para uma rua próxima ao Viaduto Nove de Julho. "Mas é um lugar muito distante de onde a feira surgiu originalmente."

Em nota, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras alega que a saída da feira tem como objetivo "melhorar a circulação de pedestres e garantir o ordenamento do espaço público no entorno da Praça Roosevelt". Segundo o órgão, está sendo "estudada uma alternativa próxima e mais adequada para a realização da feira".

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