GABRIELA BILO/ ESTADAO
GABRIELA BILO/ ESTADAO

Filme sobre Sabotage é exibido em cinema ao ar livre na Cracolândia

Moradores da região aplaudiram no início e no fim da sessão; um telão foi montado no meio da Rua Dino Bueno

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2015 | 22h19

SÃO PAULO - Com cadeiras de plástico, um telão montado no meio da Rua Dino Bueno e até pipoca grátis, os frequentadores da Cracolândia, na região central de São Paulo, tiveram a experiência de estar em um cinema de rua na noite desta quinta-feira, 2. O filme "Sabotage: Maestro do Canão", do diretor Ivan Vale Ferreira (conhecido como Ivan 13P), que conta a história do rapper assassinado em 2003, foi recebido e encerrado com aplausos.

O secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, foi quem teve a ideia e viabilizou a parceria da pasta com o diretor, os produtores e o CineB, que montou a estrutura. Antes das 19h, ele "abriu" a sessão falando sobre o cantor e sobre a iniciativa de levar a exibição até o local - mas os presentes não queriam esperar e logo gritaram: "põe o filme". Quando colocaram, todo mundo prestou atenção.

"O Suplicy viu o nosso filme no Cine Direitos Humanos (programa da Prefeitura) e nos convidou para exibi-lo na Cracolândia. Eu topei na hora. São essas as pessoas que mais precisam das mensagens do Sabotage", afirmou o diretor. "Está sendo uma das sessões que vão ficar para a História, até porque estamos trazendo a história de um cara que era da periferia. Tenho a sensação de missão cumprida", explicou Ivan 13P. A conversa dele com o secretário ocorreu há cerca de um mês e meio.

O filme mostra imagens de Sabotage feitas por Ivan 13P ainda em 2002, para outro documentário, o "Favela no Ar" (2007). Cinco meses depois de gravadas, em janeiro de 2003, o rapper morreu - e muito do material estava inédito até o lançamento desse filme, em 2015. Por meio de depoimentos de Mano Brown, Beto Brant, Rapin Hood, João Gordo, Paulo Miklos e outros, o longa conta a trajetória de Sabotage, sua influência sobre as crianças da favela em que nasceu, na zona sul de São Paulo, seu gosto musical e sua criatividade para a música e para o cinema.

Quando o filme passava trechos em que Sabotage estava cantando, a plateia na Cracolândia acompanhava e dançava junto com ele. A primeira fila de espectadores, que praticamente não se mexeu durante a exibição, riu quando foi mostrada a cena em que ele beija o bumbum da Rita Cadillac em "Carandiru" - e que não estava no roteiro.

O filho mais velho de Sabotage, Anderson, de 22 anos, ajudou na produção do longa e acompanhou a sessão. "As pessoas conheceram bastante ele pelo lado artístico, e eu tive o lado dele como pai, que sempre foi muito presente. Levava na escola, apontava onde podia e onde não podia pichar", revelou.

Suplicy, cercado pelo "fluxo" após o término da sessão, agradeceu pela participação. "Estou muito contente porque foi muito tranquilo, e ninguém acreditava que seria. Eu gostaria de agradecer a vocês", disse, sendo abraçado pelas pessoas.

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